Ministros de Israel entre mais votados nas primárias do Likud

Ministros de Israel entre mais votados nas primárias do Likud

Os ministros da Energia e da Justiça e o presidente do parlamento foram os candidatos mais votados nas primárias do Likud, partido do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, para as eleições legislativas de outubro.

© Getty Images


18/08/2026
por

Lusa

Concluída a contagem dos votos das primárias celebradas na segunda-feira, os candidatos que mais saem reforçados no seio do partido de direita de Netanyahu são o atual ministro da Energia, Eli Cohen, o presidente do parlamento, Amir Ohana, e o ministro da Justiça, Yariv Levin, adiantou o jornal YNet.

 

O Likud garantiu, em comunicado, que Netanyahu está “muito satisfeito” com estes resultados.

“A nova lista do Likud reflete uma renovação e a integração de novas forças no topo da lista. Juntamente com os preferidos que o primeiro-ministro vai nomear, que vão fortalecer ainda mais a lista, a delegação do Likud liderada por Netanyahu vai conduzir a uma grande vitória e à formação de um governo nacional de ampla base”, lê-se no comunicado do partido publicado nas redes sociais.

Face à esperada queda no número de assentos do Likud nas eleições legislativas agendadas para 27 de outubro – de 32 para entre 22 e 24, segundo as sondagens -, as primárias do partido de direita transformaram-se numa corrida entre os atuais deputados para evitar perder o lugar no Knesset (Parlamento), tentando aceder às melhores posições da lista eleitoral.

“Esta é uma demonstração de confiança não só em mim pessoalmente, mas, acima de tudo, no caminho que estou a liderar”, comentou Yariv Levin, o primeiro a pronunciar-se nas redes sociais para agradecer o voto dos militantes, que o coloca em sexto lugar na lista que o Likud vai levar às eleições.

De acordo com Levin, “um grande número de cidadãos exige a conclusão da reforma legal”.

A reforma jurídica defendida por Levin mobilizou, durante semanas em 2023, centenas de milhares de israelitas que protestavam contra a medida, classificando-a como um “golpe de Estado”, mas os ataques perpetrados pelo movimento islamita palestiniano Hamas em 07 de outubro desse ano interromperam as manifestações e atrasaram a tramitação do projeto de lei.

Entre as subidas nas listas, destaca-se também a ascensão do deputado de extrema-direita Almog Cohen (13.º), enquanto na sétima posição, e como primeira mulher da lista, ficou a atual ministra dos Transportes, Miri Regev.

Netanyahu pode escolher pessoalmente pelo menos oito lugares da lista, designadamente os 3.º, 5.º, 9.º, 11.º, 15.º, 18.º, 26.º e 29.º lugares, segundo o Instituto para a Democracia de Israel, e, entre eles, já atribuiu cargos ao atual ministro da Defesa, Israel Katz, ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Gideon Saar, ao presidente do Comité Central do Likud, Haim Katz, e ao empresário Oren Dobronsky, ainda sem experiência política.

A imprensa israelita avançou que Netanyahu garantiu à partida os cargos destes ministros face ao risco de ficarem em posições desfavoráveis nas primárias do partido.

A lista do Likud vai enfrentar as primeiras eleições após anos marcados pelo ataque de 07 de outubro de 2023, pela ofensiva israelita contra a Faixa de Gaza em retaliação, e pela escalada regional em que Israel se envolveu em guerras com o movimento xiita Hezbollah no Líbano e com o Irão, além de ter mantido trocas de fogo com outras milícias aliadas da República Islâmica.

Na segunda-feira, o Presidente norte-americano, Donald Trump, voltou a recusar apoiar Benjamin Netanyahu, considerando “mais apropriado” manter-se “afastado das eleições israelitas”, para as quais as sondagens colocam em risco a reeleição do primeiro-ministro, que encabeça uma coligação com a extrema-direita.

A maioria das sondagens em Israel coloca a força política do primeiro-ministro empatada ou logo atrás do principal adversário, o partido centrista Yashar, fundado em 2025 e presidido pelo antigo chefe das forças armadas Gadi Eisenkot.

Os estudos de opinião indicam, porém, que nenhum dos dois líderes, nem dos blocos pró-governo ou de oposição, consegue uma maioria dos 120 lugares em disputa no Knesset, embora o Yashar surja em melhores condições para formar governo.

A coligação B’Yachad (Juntos), criada este ano pelos antigos primeiros-ministros Naftali Bennett e Yair Lapid, atual líder da oposição, aparece em terceiro lugar e no quarto figura o Yisrael Beytenu (Israel é a Nossa Casa), partido nacionalista, de direita e secular, liderado pelo deputado Avigdor Liberman, mas ambos seguem longe do Likud e do Yashar.

Os Democratas, partido social-democrata sionista dirigido pelo antigo general Yair Golan, está colocado no quinto lugar nas sondagens e só depois surgem os partidos que têm estado próximos de Netanyahu.

Esta lista inclui os ultraortodoxos Shas e o Judaísmo Unido da Tora, bem como o Otzma Yehudit (Poder Judaico), do ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, e o Sionismo Religioso, do ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, dois controversos ultranacionalistas em representação da extrema-direita no Governo.

Os partidos árabes obtêm cerca de uma dúzia de lugares nas intenções de voto, divididas entre o Ra’am (Lista Árabe Unida) e o Hadash-Ta’al.

Apesar das sondagens desfavoráveis para os partidos próximos do executivo, as principais forças de oposição têm demonstrado divergências sobre um eventual acordo que permita a formação de um governo maioritário.

O Likud é um dos poucos partidos israelitas que realizam primárias para escolher a lista de candidatos ao parlamento, juntamente com nove candidatos previamente selecionados por Netanyahu.

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