Com “40 graus” de febre, José Mourinho comparece perante os jornalistas, após a categórica vitória do Real Madrid sobre o Valencia, por 0-3, para apontar o dedo a La Liga, pela “maratona de viagens e jogos” que o obrigou a fazer.
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08/11/2026
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O Real Madrid segue imparável, e alcançou, ao final da noite de sábado, aquela que foi a oitava vitória consecutiva, ao levar a melhor sobre o Valencia, em pleno Estadio de Mestalla, por categóricos 0-3, à ‘boleia’ dos golos marcados por Fede Valverde, Arda Guler e Kylian Mbappé, à passagem dos 28, 36 e 75 minutos, respetivamente.
Ainda assim, José Mourinho compareceu visivelmente abatido na conferência de imprensa que se seguiu ao apito final, e, questionado sobre se planeava assistir ao jogo da NFL que irá realizar-se no Santiago Bernabéu, entre os Cincinnati Bengals e os Atlanta Falcons, pelas 14h30 (hora de Portugal Continental) deste domingo, respondeu ao seu estilo.
“Eu, amanhã, vou à NFL se passar dos 40 para os 39 graus [de febre], que estou morto. Estou morto. Estou cansado, tenho febre… Estou morto, mas, se recuperar, vou”, afirmou, em declarações reproduzidas pelo jornal espanhol As, antes de explicar a maneira como procurou dar a volta a um arranque de temporada desportiva de 2026/27 aquém das expetativas.
“Nós nunca tivemos caos. Estivemos sempre tranquilos. Entendemos por que é que perdemos aquele jogo [contra o Atlético de Madrid, por 2-1], entendemos por onde poderíamos melhorar. Tivemos sempre muita tranquilidade. Eu lutarei sempre para que, nos momentos boas, as pessoas estejam equilibradas”, apontou.
“Digo-lhes sempre que, quando ganhas jogos, numa equipa como o Real Madrid, não podes entrar em loucura de alegria. Ganhar jogos, no Real Madrid, tem de ser a normalidade. Eu vejo um balneário feliz, com música horrível, alta… Mas pessoas tranquilas, porque a mensagem é de normalidade, na hora de ganhar jogos”, acrescentou.
“Se querem fazer esta brincadeira, que a façam a outros”
Ainda que debilitado, o treinador português não se coibiu de apontar o dedo a La Liga, na sequência de uma semana ‘louca’, que começou no domingo, com a vitória sobre o Racing Santander, por 0-3, prosseguiu na quarta-feira, com o triunfo sobre o AEK, para a Liga dos Campeões, por 2-3, e terminou no sábado, com uma nova vitória, por 0-3, sobre o Valencia.
“Tenho de ser humilde, porque eles é que têm o poder, e peço que não nos façam o mesmo, porque é… Não quero dizer que é sobrehumano, porque é possível de fazer, mas é muito difícil. Se querem fazer esta brincadeira, que a façam a outros, e que nos deixem em paz, depois desta maratona de viagens e jogos, de domingo a sábado, que foi demasiado”, atirou.
“Preocupa-me porque, agora, se eles [os jogadores] ficassem comigo e com a minha equipa técnica, teríamos uma atenção muito especial na hora de os recuperar, mas vão às seleções. Esta gente, agora, não pode trabalhar. Esta gente, agora, precisa de descansar, para, então, depois, jogar com as seleções”, completou.
“Se um dia for selecionador, vou ser muito rígido com os clubes”
Pegando, precisamente, pela pausa para compromissos internacionais, o Special One deixou uma nova ‘tacada’: “Tenho a sensação de que, se um dia for selecionador, vou ser muito rígido com os clubes. Vou pensar em mim, na minha equipa, e, por isso, não tenho cara para ligar a ninguém, mesmo que seja ao meu amigo Carlo [Ancelotti].
“Vejam bem, quem vai com o Carlo é o Vinícius, que deve jogar, e é o Endrick, que, se o Carlo o colocar a jogar, agradeço. Não é pelo lado do Carlo que me preocupa a situação, mas penso que eles não têm prazer que um jogador se lesione por acumulação [de jogos]. Penso que eles também devem aos jogadores esse profissionalismo na hora de recuperá-los”, concluiu.

