O chefe da equipa de investigadores da ONU para os crimes em Myanmar afirmou que os ataques contra civis no oeste do país impedem o regresso da minoria rohingya que está refugiada no Bangladesh. Há duas semanas, pelo menos 50 pessoas morreram e outras 58 ficaram feridas durante um ataque aéreo em Rakhine, onde vive a minoria muçulmana rohingya.
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12/10/2026
por
Lusa
O chefe da equipa de investigadores da ONU para os crimes em Myanmar (antiga Birmânia) afirmou hoje que os ataques contra civis registados no oeste do país impedem o regresso da minoria rohingya que está refugiada no Bangladesh.
Há duas semanas, pelo menos 50 pessoas morreram e outras 58 ficaram feridas, segundo dados da ONU, durante um ataque aéreo contra um mercado no estado de Rakhine, onde vive a minoria muçulmana rohingya.
O ataque foi atribuído ao Exército birmanês pelo movimento rebelde Exército de Arakan, uma guerrilha budista que também discrimina esta minoria.
“O Mecanismo [Independente de Investigação da ONU para Myanmar] investiga denúncias de crimes internacionais muito graves que estão a ser cometidos atualmente no estado de Rakhine por autores de diferentes etnias, religiões e afiliações políticas”, apontou Nicholas Koumjian num comunicado.
O responsável pela investigação do mecanismo da ONU concluiu hoje uma visita oficial de seis dias ao Bangladesh, país para onde fugiram mais de 154 mil rohingya desde o início de 2024 devido à violência exercida contra esta minoria durante o conflito entre o Exército de Arakan e o Exército birmanês.
“Muitos rohingya partilharam comigo as suas experiências recentes e traumáticas que os levaram a procurar refúgio no Bangladesh e estes testemunhos são cruciais para fazer avançar as nossas investigações”, salientou Koumjian.
Esta perseguição junta-se à sofrida pelos rohingya durante a brutal campanha lançada pelo Exército em agosto de 2017, que levou mais de 720.000 membros desta etnia a fugir também para o Bangladesh.
Segundo dados da ONU, mais de 1,2 milhões rohingyas estão em campos de refugiados localizados no território de Cox’s Bazar, no Bangladesh — a maior rede de campos do mundo.
Koumjian defendeu a necessidade de “pôr fim à violência contra a população civil” e de que os responsáveis respondam perante a justiça, apontando estas medidas como “passos cruciais para garantir que a comunidade rohingya possa regressar aos seus lares de forma segura”.
Este mecanismo da ONU, criado em 2018, forneceu material ao Tribunal Penal Internacional (TPI), às autoridades da Argentina, que abriram um processo em 2024 com base na jurisdição universal, e ao Tribunal Internacional de Justiça, no âmbito dos casos iniciados para investigar o possível genocídio contra o povo rohingya.
A campanha de repressão do exército de Myanmar contra esta minoria foi descrita pela ONU como uma limpeza étnica.
Myanmar, de maioria budista, não reconhece esta minoria e impõe múltiplas restrições aos rohingyas, nomeadamente a liberdade de movimentos.

