As Nações Unidas documentaram 397 ataques de colonos israelitas na Cisjordânia entre 1 e 26 de outubro, recorde mensal desde 2006.
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01/11/2026
por
Lusa
As Nações Unidas documentaram um total de 397 ataques de colonos israelitas na Cisjordânia entre 01 e 26 de outubro, um máximo mensal desde o início dos registos, há 20 anos.
“A violência dos colonos manteve-se num nível elevado durante o período medido”, afirmou o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA), num comunicado citado pela agência espanhola Europa Press.
A agência sublinha que “este é o maior número mensal de ataques desde que começaram a ser documentados em 2006”.
A província de Ramallah foi a mais afetada, com 40 por cento dos ataques de colonos a causarem ferimentos ou danos materiais.
Como exemplos, a ONU relata que, a 20 de outubro, colonos israelitas, “acompanhados por forças israelitas”, atacaram famílias beduínas palestinianas a leste de Rammun, prenderam várias pessoas e roubaram cem ovelhas que levaram para um colonato próximo.
No mesmo dia, em Yabrud, colonos tentaram roubar um veículo a uma família palestiniana e agrediram três membros da família que tentavam impedir o roubo. Um deles sofreu uma fractura no crânio e uma lesão ocular.
Em Hebron, dois palestinianos mataram a tiro dois soldados israelitas a 23 de outubro. Em retaliação, cerca de 3.000 palestinianos foram forçados a abandonar as suas casas, segundo dados do Conselho Municipal de Hebron que a OCHA já está a tentar verificar.
Os colonatos na Cisjordânia são considerados ilegais à luz do Direito internacional.
A violência dos colonos na Cisjordânia ocupada disparou após os ataques do grupo islamita Hamas em solo israelita, a 07 de outubro de 2023, que deram início a uma guerra em Gaza.
De acordo com uma contagem da agência AFP baseada em dados do Ministério da Saúde palestiniano, o exército e os colonos mataram mais de 1.100 palestinianos, entre combatentes e civis, desde então.
Segundo dados israelitas, no mesmo período, quase 50 israelitas – civis e membros das forças de segurança – foram mortos em ataques palestinianos ou durante operações militares israelitas.
Já na Faixa de Gaza, a OCHA denuncia os ataques militares israelitas recorrentes e a “queima intencional” de casas nas imediações da Linha Amarela, a linha da frente acordada no último cessar-fogo, há um ano, e que deixa 60% do enclave palestiniano sob controlo israelita.
Regista também relatos de “múltiplos ataques que afetaram operações humanitárias” na Faixa.

