Mais de 300 mil pessoas foram deslocadas no Iémen devido à intensificação dos confrontos no oeste do país, segundo a ONU. A OIM apela para a proteção dos civis e para o acesso humanitário seguro, especialmente em Taiz.
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01/11/2026
por
Lusa
Mais de 300 mil pessoas foram deslocadas no Iémen devido à intensificação dos confrontos no oeste do país — com a grande maioria destas deslocações a ocorrer nos últimos dois meses —, anunciou hoje a ONU.
Em comunicado, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) apela a “todas as partes envolvidas no conflito que protejam os civis e os trabalhadores humanitários, e que garantam um acesso humanitário seguro e sem entraves, especialmente nas zonas de difícil acesso de Taiz”.
“Após anos de conflito, as famílias no Iémen são forçadas a fugir novamente, muitas vezes levando apenas a roupa do corpo”, declarou Abdusattor Esoev, chefe da missão da OIM no Iémen.
“Precisam urgentemente de abrigo, alimentos, água potável e assistência médica. Sem mais financiamento, milhares de famílias correm o risco de ficar sem a ajuda de que necessitam desesperadamente”, acrescentou.
O Iémen voltou a mergulhar na guerra em julho último, após quatro anos de relativa acalmia, arrastado pelo conflito no Médio Oriente.
As hostilidades intensificaram-se em setembro passado, após uma ofensiva dos Hutis — alinhados com o Irão — no oeste do país, o que lhes permitiu reforçar o controlo sobre o estratégico estreito de Bab el-Mandeb, que liga a Europa à Ásia através do Canal do Suez.
Desde então, a Arábia Saudita, aliada do Governo iemenita, tem bombardeado regularmente as posições dos Hutis, que respondem intensificando os ataques em território saudita.
Os combates provocaram uma escalada dos preços dos produtos básicos. Na cidade de Taiz, no oeste do país, o custo dos bens essenciais triplicou ou até quintuplicou, devido aos combates que dificultam o abastecimento a partir das zonas vizinhas, segundo a OIM.
Cinco equipas médicas móveis da OIM trabalham em quatro províncias (Marib, Lahj, Aden e Taiz).
Face ao aumento das necessidades humanitárias, a OIM estima que sejam necessários 45 milhões de dólares (40 milhões de euros) nos próximos seis meses para prestar assistência vital — incluindo abrigo, ajuda financeira de emergência, cuidados de saúde, acesso a água potável, saneamento e proteção às populações deslocadas.

