Onze estreias basolutas e 11 nacionais na nova temporada do Rivoli

Onze estreias basolutas e 11 nacionais na nova temporada do Rivoli

O Teatro Municipal do Porto vai receber entre setembro e dezembro, no Rivoli e Campo Alegre, um total de 11 estreias absolutas, 11 estreias nacionais, oito coproduções e cinco coapresentações, propondo também programação de acesso gratuito, foi hoje anunciado.

© Wikimedia Commons


16/07/2026
por

Lusa

 

A performer norte-americana Mindy Seu, os argentinos Luciana Acuña & Alejo Moguillansky, a colombiana Luisa Fernanda Alfonso (ambas integradas no ciclo Make Trouble) e os portugueses Mariana Leite Soares, Isabél Zuaa e o coletivo portuense boca-rota (de Sofia Bodas de Carvalho) estão entre os nomes da nova temporada, assim como os palestinianos Bashar Murkus & Khulood Basel/ Khashabi Theatre e o libanês Ali Chahrour.

“O Teatro Municipal do Porto (TMP) vai a banhos no verão, mas não regressará preguiçoso. Promete um outono quente, promete um outono intenso, um regresso ‘hot’ entre setembro e dezembro. O primeiro dia será, aliás, marcado pela estreia de uma história sexual da internet que promete fazer subir os níveis de ocitocina e dopamina”, disse o vereador da Cultura do Porto, Jorge Sobrado, na apresentação da nova temporada.

Jorge Sobrado referia-se à estreia nacional, no Grande Auditório do Rivoli, a 18 de setembro, de “A Sexual History of the Internet”, uma palestra interativa da artista e investigadora Mindy Seu, que convida o público a ler em voz alta, em inglês, um guião partilhado que explora “as origens perversas e as histórias menos conhecidas das ferramentas digitais, cruzando sexualidade, inovação e autonomia”.

O centro do Porto servirá também de cenário a outra estreia nacional: “Efectos Especiales”, de Luciana Acuña & Alejo Moguillansky, a rodagem de um filme coreografado em plano-sequência, em que diferentes intérpretes inventam consecutivamente formas de morrer face à arquitetura urbana, sob efeitos especiais como chuva, neve e fumo colorido.

O programa de setembro incluirá ainda uma oficina orientada por Né Barros, um concerto tripartido de Slide Bons Symbiosis, um ensemble português de trombones, para ver nas varandas do Rivoli, e o concerto dos Unsafe Space Garden, um coletivo musical de Guimarães que mistura rock psicadélico, pop e funk para abordar o absurdo da vida adulta, na Praça de D. João I.

Em outubro, a 01 e 02, o Rivoli acolhe a estreia de “Zonas de Sombra”, da coreógrafa Né Barros, em que o movimento, a palavra e a música se unem para explorar as vertentes psicológicas, metafísicas e invisíveis da sombra através de corpos que ocultam sentidos profundos.

A 17 de outubro, o ciclo literário Quintas de Leitura regressa ao Teatro Campo Alegre sob o tema “Nas tuas mãos começa o precipício”.

A 23 e 24, o ciclo Make Trouble propõe duas estreias: “Absoluto”, de Mariana Leite Soares, que expõe “as consequências quotidianas da afinação técnica e das nomenclaturas de conectores, apontando também para o conservadorismo e o mito de superioridade da música clássica”, e a estreia nacional de “Masterpiece”, de Luisa Fernanda Alfonso.

A fechar este mês, a 29 e 30, estreia “Atlas, mapeamento poético”, uma criação de Joana Providência/ Teatro do Bolhão que junta seis intérpretes num manifesto coreográfico que aproxima a vivência da imigração em Portugal ao universo poético global através do som, do gesto e da palavra.

A 06 e 07 de novembro, o Rivoli recebe Isabél Zuaa com “Afro Sal.Oyá”, um “espetáculo-concerto-pop-ritualístico” que acompanha o processo de criação de um álbum de uma artista ‘afro-saloia’ que cresceu na periferia de Lisboa.

No Campo Alegre, decorre em simultâneo a Mostra Estufa com três criações distintas: “Nocaute”, de Inês Pinho, “Equilíbrios”, de Pedro Matias, e “Albatroz”, de Vasco Gomes.

A 13 e 14 de novembro, o Rivoli apresenta a estreia nacional de “Dzudza”, de Idio Chichava (em coapresentação com a Fundação Calouste Gulbenkian). Trata-se de uma dança que celebra a vida e a resistência na periferia de Maputo, unindo cantos populares e o simbolismo da capulana.

Nas mesmas datas, estreia-se no Campo Alegre “#Não somos cactos#”, do Teatro de Marionetas do Porto & Joana Magalhães, e a 19 de novembro, sobe a palco o projeto emergente portuense boca-rota, criado por Sofia Bodas de Carvalho e José Costa, fundindo guitarras, contrabaixo, percussão e poesia experimental.

A 20 e 21 de novembro, o Rivoli acolhe a estreia nacional de “The Brotherhood” (Trilogia Cadela Força — Capítulo II), de Carolina Bianchi Y Cara de Cavalo, coapresentada com a Culturgest.

A 27 e 28, o ciclo Palcos Instáveis regressa ao Campo Alegre com “Manual de Defesa”, de Júlio Cerdeira, e “Mechita”, de Sol Garcia, e nos dias 28 e 29, a estreia nacional de “A Epopeia de Bani Hilal”, do Khashabi Theatre (coapresentado com o Teatro do Bairro Alto e o Teatro Nacional D. Maria II).

A encenaão de Bashar Murkus celebra musical e visualmente uma lendária saga árabe oral do século XIV sobre a migração da tribo Bani Hilal.

Dezembro começa no Rivoli com “L’amour du risque”, da Compagnie Bakélite, um bailado para robôs aspiradores geridos por inteligência artificial que transforma um jantar romântico num espectáculo caótico e hipnótico.

No Campo Alegre, Ali Charour apresenta “When I Saw the Sea” (coapresentado com o festival Alkantara), uma peça em que três mulheres dão voz às hist?rias e pesadelos de trabalhadoras domésticas migrantes no Líbano sob o sistema Kafala.

De 10 a 12 de dezembro, estreia no Rivoli “Ic?ria, Ic?ria, Ic?ria: Uma conferência sobre um desejo chamado utopia e outros superpoderes”, de Rui Pina Coelho/ Teatro Experimental do Porto, que toma como ponto de partida o romance ut?pico de ?tienne Cabet, para questionar o papel da pol?tica face ao colapso ambiental do capitalismo.

Os bilhetes para os espet?culos desta temporada estar?o dispon?veis a partir de 16 de julho, nas bilheteiras do Teatro Rivoli e do Teatro Campo Alegre, e ‘online’ em tmp.bol.pt.

Na apresentaç?o da nova temporada estiveram o atual diretor do TMP, Drew klein (que dever? cessar funç?es em dezembro), e o vereador da Cultura da Câmara do Porto, Jorge Sobrado.

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