Oposição pede ao parlamento do Paraguai destituição do presidente

Oposição pede ao parlamento do Paraguai destituição do presidente

Deputados da oposição no Paraguai apresentaram no Parlamento um pedido de destituição do presidente Santiago Peña, um dia após a crise que levou o Banco Central a assumir o controlo de um banco ligado ao chefe de Estado.

© Luis ROBAYO / AFP via Getty Images


05/11/2026
por

Lusa

Santiago Peña

Deputados da oposição no Paraguai apresentaram quarta-feira no Parlamento um pedido de destituição do presidente Santiago Peña, um dia após a crise que obrigou o Banco Central a assumir o controlo de um banco, ligado ao chefe de Estado.

 

O deputado Mauricio Espinola, dissidente do partido conservador no poder, confirmou à agência de notícias francesa AFP que o pedido reuniu as 35 assinaturas de parlamentares necessárias e foi entregue ao presidente da Câmara dos Deputados. Entretanto, foi convocada uma sessão extraordinária para quinta-feira de manhã.

Para lançar formalmente um processo de destituição, o pedido deve ser aprovado por 53 dos 80 deputados, numa câmara baixa onde o partido do presidente Peña, no poder desde 2023, detém a maioria, embora tenha enfrentado dissidências internas.

Se for aprovado, cabe depois ao Senado pronunciar-se sobre a acusação e sobre a própria destituição. Esta exigiria o voto de 30 dos 45 senadores.

A crise começou na terça-feira com a tomada de controlo pelo Banco Central do Paraguai (BCP) de um importante banco do país, o Ueno Bank, que afirma ter 2,94 milhões de clientes, e que privou milhões de aforradores de acesso imediato aos seus depósitos.

Na sequência, o presidente do BCP, Carlos Carvallo, que antes tinha dirigido o Ueno, assumindo mais tarde a liderança do Banco Central, em 2023, anunciou a sua demissão, exigida pelo presidente Peña.

Ao longo de terça-feira, formaram-se filas em Assunção em frente às agências do Ueno Bank, com os aforradores a tentar levantar o seu dinheiro.

Manifestantes reuniram-se depois no centro da capital, com cartazes exigindo um “processo de destituição de Santi Peña”.

O chefe de Estado de 47 anos, ex-ministro das Finanças, foi no passado ligado ao Ueno: até 2025, detinha ações, adquiridas antes da sua presidência, numa holding que controlava este banco.

Num vídeo Publicado hoje na rede social X, o presidente do Paraguai enviou uma “mensagem de serenidade” aos paraguaios. “O sistema financeiro é sólido. Além disso, dispõe de instituições e mecanismos de proteção”, garantiu.

O chefe de Estado também anunciou ter nomeado um novo presidente para o Banco Central.

A crise da Ueno “não foi um acidente”, acusou hoje o deputado Espínola. “É um fracasso do governo do presidente Santiago Peña e da direção do Banco Central. Os sinais eram visíveis desde 2024, um banco que crescia a uma velocidade que nenhum banco saudável conhece”, afirmou.

O pedido de destituição apresentado por deputados da oposição também se dirige ao vice-presidente Pedro Alliana, que Santiago Peña tinha apoiado para o suceder na presidência prevista para 2028.

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