Pelo menos 18 menores morreram no naufrágio ocorrido esta semana no Lago Kariba, no Zimbábue, que causou 46 mortos e abalou o país, informou hoje a Polícia do Zimbabué.
© Jekesai NJIKIZANA / AFP via Getty Images
14/08/2026
por
Lusa
De acordo com um comunicado divulgado pela Polícia da República do Zimbabué (ZRP, na sigla em inglês), entre os 44 falecidos cuja identidade foi confirmada encontram-se 26 adultos (20 mulheres e seis homens) e 18 menores (nove meninas e nove meninos), incluindo crianças pequenas com idades compreendidas entre 1 e 5 anos, bem como crianças mais velhas.
Outras duas pessoas ainda não foram identificadas.
“O processo de identificação dos restantes corpos recuperados prossegue.
A Polícia continua a trabalhar em estreita colaboração com as entidades competentes e as famílias afetadas no processo de identificação e recuperação, indicaram as forças de segurança.
O naufrágio ocorreu na terça-feira à tarde e envolveu uma embarcação da Agência de Desenvolvimento de Infraestruturas Rurais que viajava entre as localidades de Chalala e Kariba.
Embora as primeiras informações indicassem que transportava 120 pessoas, as investigações policiais apontaram para a possibilidade de haver mais pessoas a bordo, apesar de a capacidade máxima autorizada da embarcação ser de 90 pessoas, segundo informou a ZRP na quarta-feira.
Assim, a Polícia afirmou que 67 pessoas foram resgatadas, embora a Unidade de Proteção Civil, a agência de gestão de catástrofes do país, tenha estimado em 77 o número de sobreviventes que conseguiram nadar ou foram arrastados para um ilhéu próximo, de onde foram resgatados por barcos de socorro.
Perante a magnitude da tragédia, o Presidente do Zimbábue, Emmerson Mnangagwa, declarou o estado de catástrofe nacional para mobilizar recursos do Exército, mergulhadores de resgate e aeronaves.
O mandatário reconheceu publicamente que o incidente revelou graves deficiências nos sistemas de inspeção e segurança marítima do país.
O lago Kariba, o maior reservatório artificial do mundo em volume, com uma capacidade de cerca de 180 quilómetros cúbicos, foi criado na sequência da construção da barragem com o mesmo nome, erguida entre 1956 e 1959 por engenheiros italianos sobre o rio Zambeze, na fronteira entre o Zimbábue e a Zâmbia.
Para além de abastecer a Central Hidroelétrica de Kariba, esta massa de água constitui uma via de transporte fundamental na região.
A última reabilitação desta central foi financiada pela União Europeia (UE), que contribuiu com 113 milhões de euros para um projeto lançado há mais de 10 anos em conjunto com outros parceiros, como o Banco Mundial (BM) e o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), embora as obras tenham tido início em 2017.
Esta infraestrutura e a Central Termoelétrica de Hwange são as duas principais fontes de produção de energia do Zimbábue, mas os seus equipamentos ficaram obsoletos.
Assim, o país sofre cortes de energia de até 14 horas por dia há 45 anos, o que obrigou as indústrias, o comércio e os cidadãos a depender de métodos alternativos mais dispendiosos.
O Governo do Zimbábue prometeu obras de “reabilitação” do serviço, que estarão concluídas em 2030.

