A Museus e Monumentos de Portugal propôs a classificação como tesouro nacional da pintura “Fons Vitae”, atribuída a Coljin de Coter. A proposta baseia-se no parecer favorável do Conselho Nacional de Cultura, de 31 de julho de 2026, e agora há um prazo de 30 dias para os interessados no processo se pronunciarem.
© MMIPO – Museu e Igreja da Misericórdia do Porto
30/10/2026
por
Lusa
A empresa pública Museus e Monumentos de Portugal propôs a classificação como tesouro nacional da pintura “Fons Vitae”, atribuída a Coljin de Coter, do Museu e Igreja da Misericórdia do Porto, foi hoje publicado em Diário da República.
A proposta baseia-se no parecer favorável da Secção de Museus, da Conservação e Restauro e do Património Cultural Móvel do Conselho Nacional de Cultura, de 31 de julho de 2026, pode ler-se no documento publicado em Diário da República, havendo agora um prazo de 30 dias para os interessados no processo se pronunciarem.
Há precisamente um ano foi publicada em Diário da República a abertura o procedimento de classificação do quadro.
A classificação da pintura a óleo sobre madeira de carvalho “Fons Vitae” (“Fonte da Vida”), datada do primeiro quarto do século XVI, visa a proteção e valorização de “um valor cultural de significado relevante para a nação”.
De acordo com informação disponível no ‘site’ da Santa Casa da Misericórdia do Porto, o quadro é testemunha “da pujança da cidade e das suas ligações ao norte da Europa, no século XVI”.
Com autoria atribuída a Colijn de Coter (c1440-c1522), é um quadro de grande dimensão (267×210 centímetros), pintado a óleo sobre madeira de carvalho.
O tema da fonte, central na pintura, teve grande difusão na época medieval no norte e centro europeu, ligando-se ao “Juízo Final”, estando associado ainda ao culto do “Santo Sangue” e, a partir deste, a muitas outras variantes que colheram grande recetividade devocional, como o culto do “Santo Lenho e da Vera Cruz”, refere a Santa Casa.
De acordo com a Misericórdia do Porto, “dois importantes temas iconográficos convergem no ‘Fons Vitae’: no plano terreno, a iconografia régia de D. Manuel I, sendo esta, porventura a única obra existente em que o monarca é retratado com os atributos inerentes à sua ideologia política e quadro espiritual, e no plano celeste, o tema do ‘Calvário’ associado ao da ‘Fonte da Vida e da ‘Piedade’, sendo que o escudo de armas português incluiu a cruz de Cristo e as cinco chagas”.
Dada “a complexidade do tema” e a sua associação à ideologia régia, a pintura poderá ter sido encomendada na Flandres para a Misericórdia do Porto.
“Seguramente, a encomenda foi realizada por alguém ligado à Misericórdia que frequentava o círculo mais íntimo do monarca”, sustenta a instituição.

