As eleições legislativas em Israel terminaram sem uma maioria clara, criando um desafio para o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o rival Gadi Eisenkot, que precisam de alargar seus blocos para formar um novo governo.
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30/10/2026
por
Lusa
As eleições legislativas em Israel terminaram sem uma maioria clara, criando um quebra-cabeças para o campo do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, e o do rival Gadi Eisenkot, que precisam de alargar os seus blocos para governar.
Apesar de o presidente Isaac Herzog poder indigitar outra figura para tentar formar Governo, os dois líderes surgem, para já, como os mais bem posicionados.
Principais opções para alcançar os 61 deputados necessários para garantir a maioria parlamentar no Knesset (parlamento), partindo dos 53 lugares obtidos pelo campo de Netanyahu e dos 48 do bloco de Eisenkot, segundo a agência francesa AFP:
Um governo liderado por Netanyahu
O bloco do primeiro-ministro e aliados de extrema-direita e ultraortodoxos venceu as eleições com 53 assentos (27 dos quais do partido de Netanyhu, o Likud).
Se pretende continuar a governar, Netanyahu, que já reuniu todos os partidos à sua direita, não tem outra alternativa senão estender a mão à oposição.
No entanto, os obstáculos a um Governo de unidade são substanciais, uma vez que as quatro formações do “bloco da mudança”, liderado por Eisenkot, apresentaram as eleições realizadas na terça-feira como um referendo contra Netanyahu.
Entre estes, a esquerda de Yair Golan (oito lugares) afigura-se como a menos provável a juntar-se ao atual primeiro-ministro.
O antigo ministro Avigdor Lieberman (sete assentos), ex-aliado de quem se distanciou, defende que “a única coligação viável é composta exclusivamente por partidos sionistas, incluindo o Likud, mas sem Bibi”, o cognome do primeiro-ministro.
A posição do partido de centro-direita Juntos (12 lugares) é mais ambígua: o seu líder, Naftali Bennett, chegou a admitir uma aliança sob certas condições, recuando posteriormente após críticas dos apoiantes.
A hipótese da partilha de poder com Eisenkot (21 deputados), prevendo a rotação no cargo de primeiro-ministro, é por vezes referida, mas parece difícil de aceitar pelo líder opositor, que reiterou que nunca servirá sob a liderança de Netanyahu.
Esta fórmula tem precedentes: em 2020, Netanyahu e o centrista Benny Gantz firmaram um pacto semelhante após três eleições num ano, mas a aliança colapsou ao fim de 12 meses, forçando novo sufrágio.
Fora do bloco da oposição, resta a opção improvável de uma aproximação aos partidos árabes (19 assentos no total).
Apesar de os ter criticado na campanha e de os acusar de fraude eleitoral, Netanyahu já procurou o seu apoio em 2015 e 2021.
Um governo liderado por Eisenkot
Eisenkot dispõe de duas opções principais: um Governo minoritário apoiado no parlamento por outras forças ou um Governo de unidade com Netanyahu.
Quanto à primeira opção, as duas listas de maioria árabe, que emergiram como decisivas após o resultado histórico, declararam-se disponíveis para colaborar.
Contudo, além da forte oposição de Bennett e Lieberman a essa parceria, um Governo minoritário ficaria exposto à fragilidade e dependente desses novos aliados.
Sendo um antigo chefe do Estado-Maior do Exército, Eisenkot poderia ver esse apoio ameaçado em caso de operações militares na Faixa de Gaza.
Resta a hipótese de um Governo de unidade nacional chefiado por Eisenkot.
Yair Lapid, um dos líderes do bloco e arquiteto de uma coligação em 2021 que incluiu pela primeira vez um partido árabe, pediu hoje paciência aos eleitores enquanto o seu campo tenta construir uma maioria, admitindo que “será difícil”.
O cenário de unidade menos provável passa pela aceitação de Netanyahu em ceder o cargo. Da mesma forma, são improváveis dissidências no seio do Likud, um partido fortemente alinhado com o líder.
Outra alternativa seria incluir na coligação a lista islamista moderada Ra’am (oito lugares), apesar de Eisenkot ter afastado essa possibilidade durante a campanha.
Ainda assim, o perfil do líder do Ra’am, Mansour Abbas, que integrou o executivo de Lapid em 2021, e a presença de um antigo alto oficial judeu da polícia como número dois da lista poderiam facilitar um entendimento.
Mesmo com esse apoio, faltariam alguns mandatos para atingir os 61, que Eisenkot poderia tentar obter junto dos partidos ultraortodoxos atualmente aliados a Netanyahu, o que exigiria concessões na questão da isenção do serviço militar obrigatório.

