Rita Ferro Rodrigues deixa reflexão nas redes sociais sobre a questão do lixo nas ruas após ver pessoas à procurar de garrafas de plástico para recuperarem 10 cêntimos. “País que faz disto uma questão de limpeza e não uma questão básica de desigualdade de quem não tem como comer.”
© Instagram_ritaferrorodrigues
13/07/2026
por
Notícias ao Minuto
Ao aperceber-se de pessoas que estavam a “vasculhar” no lixo da sua rua à procura de garrafas de plástico para recuperar 10 cêntimos, Rita Ferro Rodrigues decidiu levar a questão para as redes sociais.
Numa publicação que fez na sua página na madrugada desta segunda-feira, dia 13 de julho, a apresentadora começou por escrever: “Ninguém quer postar lixo no feed e até eu, que acho que sei das coisas, me apercebi, nas últimas semanas, que o lixo na minha rua estava revolvido e descontrolado, fora da norma (que já é terrível) do lixo que não é recolhido a tempo e horas, dos trabalhadores do lixo que são poucos e mal pagos, do horror de lixo que cada uma das nossas famílias produz sem qualquer consciência ambiental – não estou a falar da separação que muitos de nós, não todos, fazemos, mas do lixo diário que produzimos – é demasiado, e letal.”
“Mas depois veio esta ideia do governo – aparentemente boa: Quando compras uma bebida em garrafa de plástico (PET) ou lata abrangida pelo sistema, pagas mais 0,10 € de depósito por embalagem. Esse valor aparece separado na fatura e não é um imposto. Depois de consumires a bebida, levas a embalagem vazia a um ponto Volta (normalmente em supermercados ou hipermercados com máquinas próprias). A máquina lê a embalagem e devolve-te os 0,10 € que pagaste, normalmente através de um talão, crédito ou dinheiro, dependendo do ponto de recolha”, acrescentou de seguida.
“E depois apercebes-te, porque vês com os teus próprios olhos, vês na tua rua, um adulto e uma criança a vasculhar no lixo, no teu lixo, sujeitos sabe-se lá a que doenças, a que destino, à procura de mais dez cêntimos para o orçamento mensal”, começou por lamentar depois.
“E não, senhores Cheganos , não eram «estrangeiros» (e se fossem? Mas esta interrogação só interessa a alguns). Eram pessoas, nesta rua, choquem-se, «portugueses de gema» no limiar da pobreza, e a partir daí, fosse qual fosse o BI, o que interessa o lixo espalhado, quando ninguém quer saber de quem o espalha, e porque o espalha? Que desespero é este? Que m**** é esta, pá??”, fez ainda questão de realçar.
“Pessoas a vasculhar no lixo por mais 10 cêntimos num país que faz disto uma questão de limpeza, e não uma questão básica de desigualdade de quem não tem como comer, como viver. Estou cansada porra. Há os que se preocupam com o lixo nas ruas, e depois há os que se preocupam com quem só tem o lixo como oportunidade”, continuou.
“De que lado estás? Consegues ver a tua família, ali, a lutar pelo lixo para sobreviver? Consegues ou não?”, concluiu.

