Poucas escolas fechadas e protesto não autorizado em França

Poucas escolas fechadas e protesto não autorizado em França

A nova jornada de contestação convocada para hoje em França por várias organizações estudantis causou o encerramento de cerca de 50 escolas secundárias e de outras tantas universidades que se juntaram aos protestos.

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03/11/2026
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Lusa

A nova jornada de contestação convocada para hoje em França por várias organizações estudantis causou o encerramento de cerca de 50 escolas secundárias e de outras tantas universidades que se juntaram aos protestos.

Além disso, num gesto interpretado como um desafio ao Governo francês, foi realizada uma marcha não-autorizada no centro de Paris, na qual participaram sobretudo estudantes universitários franceses.

A dois dias da jornada de greve e mobilização nacional marcada em protesto contra o aumento do custo de vida e em defesa da educação e da saúde públicas, o descontentamento estudantil manteve-se hoje num nível semelhante ao de segunda-feira.

Nesse dia, os piquetes obrigaram ao encerramento de 41 instituições de ensino, logo no regresso às aulas, após duas semanas de férias de outono, números que estão longe dos mais de 400 encerramentos registados no auge dos protestos, há um mês.

A União Sindical das Escolas Secundárias (USL) contestou os dados do Ministério da Educação francês (que indicavam que 1,3% das escolas tinham sido afetadas) e afirmou que na segunda-feira mais de 150 instituições foram barradas em todo o país.

“Em algumas destas escolas, os profissionais da Educação Nacional voltaram a ser vítimas de violência. Condeno estes atos inaceitáveis e manifesto todo o meu apoio àqueles que os sofreram”, declarou o ministro da Educação, Édouard Geffray, numa mensagem divulgada na rede social X.

Segundo o jornal Le Parisien, os funcionários da escola Parc-des-Loges, em Évry, nos arredores de Paris, foram atingidos por engenhos pirotécnicos, e uma assistente educativa ficou ferida numa orelha em consequência desse ataque.

A jornada de contestação de hoje foi convocada pela União Nacional dos Estudantes de França (UNEF), que tinha proposto uma “jornada negra” nas universidades, com assembleias-gerais e bloqueios.

De acordo com um levantamento do Ministério do Ensino Superior, o funcionamento de 51 dos 184 polos universitários foi afetado pela mobilização de hoje.

Nas imediações da unidade da Sorbonne situada no centro de Paris, centenas de estudantes marcharam, apesar de não terem autorização das autoridades.

Os participantes manifestaram-se entre Saint-Germain-des-Prés e Jussieu, rodeados de um grande contingente policial. A marcha terminou sem incidentes assinaláveis, segundo a imprensa local.

Os organizadores da paralisação e da mobilização de 05 de novembro — que incluem sindicatos, associações de estudantes e o movimento dos “coletes amarelos” — esperam concentrar centenas de milhares de pessoas em todo o país.

Em Paris, a expectativa é que participem entre 100 mil e 150 mil manifestantes, segundo o canal TF1, entre os quais poderão estar entre 400 e 800 agitadores ligados à ultraesquerda (mais à esquerda da esquerda radical).

Como aconteceu no passado sábado, os organizadores propuseram às autoridades um percurso pelo centro da capital, que poderá, contudo, ser novamente vetado, para, segundo a justificação do Governo, impedir que se repitam as pilhagens ocorridas a 17 de outubro.

Hoje, tiveram início na Assembleia Nacional francesa os trabalhos de uma comissão parlamentar destinada a investigar falhas na gestão dos distúrbios desse dia.

O ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, assumiu a responsabilidade pelo fiasco, ao mesmo tempo defendendo a atuação dos serviços secretos na emissão de alertas.

“O fracasso verificado não implica, por si só, uma falha dos serviços do Estado”, afirmou Nuñez, no depoimento à comissão de inquérito sobre os episódios de violência registados nos dias 17 e 18 de outubro, cujas imagens de destruição e pilhagens tiveram repercussão mundial.

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