“Progressos substanciais” para negociações trilaterais com Moscovo e Kyiv

Steve Witkoff, enviado do Presidente norte-americano, Donald Trump, a Moscovo e a Kyiv, relatou hoje “progressos substanciais” nessas visitas rumo à retomada das negociações para solucionar a guerra entre a Rússia e a Ucrânia.

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07/09/2026
por

Lusa

Ucrânia/Rússia

“Foram feitos progressos substanciais, incluindo avanços no sentido da realização de novas conversações trilaterais”, escreveu na rede social Facebook Steve Witkoff, que viajou acompanhado de Jared Kushner, genro de Trump, referindo-se a futuras negociações entre os Estados Unidos, a Rússia e a Ucrânia.

 

“O Presidente Trump está a trabalhar arduamente para pôr fim ao conflito e alcançar uma paz duradoura”, acrescentou.

Witkoff e Kushner reuniram-se no sábado em Moscovo com o Presidente russo, Vladimir Putin, e depois viajaram para Kyiv pela primeira vez no domingo, onde se encontraram com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

O objetivo era retomar os esforços diplomáticos, mediados pelos Estados Unidos, para pôr fim ao conflito desencadeado pela invasão da Ucrânia pela Rússia em fevereiro de 2022.

Representantes europeus — franceses, britânicos e alemães — participaram também nestas reuniões no domingo em Kiev, confirmaram Zelensky e Witkoff.

Os esforços de mediação empreendidos por Washington desde o regresso de Donald Trump à Casa Branca para um segundo mandato presidencial, em janeiro de 2025, levaram a várias rondas de conversações entre Moscovo e Kyiv em 2025, mas estas não produziram resultados, e o processo estava paralisado desde que os Estados Unidos e Israel iniciaram a guerra contra o Irão, a 28 de fevereiro.

Nas reuniões que mantiveram no domingo em separado com representantes europeus, os dois enviados de Trump relataram “uma renovada disponibilidade russa para negociar”, anunciou hoje a presidência de França.

“Os norte-americanos disseram-nos que havia uma renovada disponibilidade por parte da Rússia para negociar após as eleições para a Duma (a câmara baixa do parlamento russo, entre 18 e 20 de setembro) e que, nesse contexto, devemos preparar-nos para um novo arranque das negociações”, declarou o Palácio do Eliseu, numa conferência telefónica com a comunicação social.

Steve Witkoff e Jared Kushner relataram no domingo a Volodymyr Zelensky e, numa sessão separada, aos representantes do E3 (Alemanha, França e Reino Unido) o encontro que mantiveram no dia anterior com Vladimir Putin.

Os enviados de Trump apresentaram às duas partes em conflito propostas classificadas como “eficazes” pelo lado ucraniano para tentar pôr fim à guerra desencadeada pela invasão russa do país vizinho, a 24 de fevereiro de 2022.

Contudo, “não especificaram os parâmetros destas negociações” aos europeus, não tendo também as propostas dos Estados Unidos sido tornadas públicas até à data.

O Eliseu considerou “encorajador” o “reempenho dos negociadores norte-americanos” no conflito na Ucrânia – nos últimos meses ensombrado pela guerra no Irão -, o facto de terem “comunicado uma disponibilidade russa para retomar as negociações” e de os europeus terem sido “incluídos na conversa”.

O Kremlin afirmou hoje “não excluir” uma retomada das negociações no “formato tripartido” (Rússia, Ucrânia e Estados Unidos), embora acrescentando ser “ainda demasiado cedo para falar do local e da data exatos”.

“É uma coisa positiva”, saudou a presidência francesa, sublinhando, contudo, que será necessário “zelar por que os europeus e os ucranianos se mantêm firmes nestas negociações e que a coordenação com os norte-americanos se mantém, incluindo nas questões mais sensíveis”, como a questão da cedência pela Ucrânia à Rússia de territórios cuja anexação esta reivindica.

Este relançamento do diálogo “não permite concluir que tudo esteja subitamente resolvido, mas oferece material para reflexão, uma oportunidade para a diplomacia”, congratulou-se o Eliseu.

“Nenhum de nós pode dar-se ao luxo de ignorar a mínima oportunidade de avançar para negociações robustas, assentes em parâmetros credíveis”, acrescentou a presidência francesa, sublinhando que “a guerra é cara” para todos.

Para terça-feira está marcada uma reunião por videoconferência do Grupo de Contacto para a Defesa da Ucrânia, também conhecido como formato Ramstein e que foi criado em abril de 2022, com participação do secretário-geral da NATO, Mark Rutte, dos ministros da Defesa da Alemanha (Boris Pistorius), do Reino Unido (Wes Streeting) e da Ucrânia (Evgeniy Khmara) e do subsecretário da Defesa norte-americano, Elbridge Colby.

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