O primeiro-ministro albanês defendeu a atuação policial durante os protestos estudantis, que prosseguem há mais de uma semana, e criticou os meios de comunicação por “glorificar e relativizar” os confrontos.
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23/10/2026
por
Lusa
O primeiro-ministro albanês defendeu hoje a atuação policial durante os protestos estudantis que prosseguem há mais de uma semana no país e criticou os meios de comunicação social, que acusou de “glorificar e relativizar” os confrontos.
Numa conferência de imprensa, Edi Rama, a quem os manifestantes exigiram que apresentasse a sua demissão no âmbito dos protestos, salientou que a Albânia e os albaneses “estão a ser bombardeados com a falsa ideia de que os estudantes inocentes e idealistas estão a ser vítimas da violência policial”.
“Trata-se de uma deturpação dramática e manipuladora de uma realidade completamente diferente”, afirmou Rama, ao mesmo tempo que referiu ter partilhado os relatórios sobre o número de feridos durante as marchas, que apontam para um número maior de pessoas afetadas nas fileiras da polícia.
“Chegará o momento de falar sobre os meios de comunicação corruptos. Estou aqui para abordar um aspeto que mencionei anteriormente, o que me valeu escárnio e insultos, uma vez que foi interpretado como um comentário ofensivo para com os estudantes. Desde o início do protesto massivo e pacífico, reconheci que as razões para se manifestarem são legítimas e podem ser inúmeras”, afirmou.
No entanto, prosseguiu, “desde o início que existe um facto que se tornou evidente em toda a sua magnitude”, que é o de que “a escalada da violência foi preparada ao longo de meses”.
“A polícia dispõe de dados sobre a entrada de máscaras e explosivos através da alfândega, bem como de informações sobre a organização de grupos ligados ao movimento Antifa e ao Irão”, sublinhou.
O primeiro-ministro também tinha atribuído os protestos à Rússia em declarações no início desta semana.
Além disso, Rama voltou a convidar os estudantes para o diálogo, embora tenha alertado que “haverá consequências” penais para aqueles que “tenham decidido recorrer à violência” durante os protestos na capital, Tirana.
Assim, afirmou estar disposto a “debater com qualquer pessoa que pense de forma diferente, em qualquer lugar e a qualquer momento, desde que a discussão decorra sem violência”.
“Repetidamente, o convite ao diálogo e a disponibilidade para me reunir com quem quer que procure e acredite no diálogo continuam em aberto. Estou pronto, em qualquer lugar e a qualquer momento, para conversar com aqueles que acreditam que a Albânia deve melhorar”, adiantou.
Os protestos inserem-se na “Revolução dos Flamingos”, um movimento que teve início em maio passado, depois de ter vindo a público que o Governo planeava vender terrenos num parque natural a um projeto turístico de empresários estrangeiros ligados a Jared Kushner, genro do Presidente norte-americano, Donald Trump.
Os estudantes iniciaram esta onda de protestos para exigir a demissão de Rama, que governa desde 2013.
O primeiro-ministro albanês criticou ainda os manifestantes que “atacaram bens públicos e privados e perturbaram a vida quotidiana dos cidadãos”, ao mesmo tempo que acusou “pessoas com o rosto coberto” de “utilizarem os estudantes para outros fins”.
Um balanço divulgado pelas autoridades albanesas após os primeiros sete dias de mobilizações em massa — que incluíram episódios graves, como o incêndio da sede do Supremo Tribunal — indicou que 310 pessoas ficaram feridas, 191 das quais polícias, 88 manifestantes e 31 transeuntes.
Os protestos tornaram-se violentos na semana passada, quando os estudantes albaneses saíram à rua para exigir mais recursos para o ensino e passaram a apoiar reivindicações exigindo a demissão de Rama.

