Ainda que a maioria das pessoas que observaram o eclipse solar desta quarta-feira o tenha feito seguindo as orientações e recomendações dos especialistas em saúde ocular, houve quem não o fizesse e (provavelmente) esteja neste momento arrependido.
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13/08/2026
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Não é todos os dias que temos a oportunidade de ver um eclipse solar total e, com o fenómeno a ser tão raro, foram milhões as pessoas que se juntaram para assistir nesta quarta-feira, dia 12.
A maior parte das pessoas que decidiu assistir ao eclipse parece ter obedecido aos conselhos e avisos das entidades de saúde e especialistas em oftalmologia, recorrendo a óculos devidamente homologados para observar o fenómeno. Contudo, basta navegar alguns minutos no TikTok para perceber que nem todos seguiram estes conselhos, queixando-se agora de dores e de queimaduras nos olhos – conhecidas também como retinopatia solar.
Como conta o site francês Le Dauphiné Libéré, alguns utilizadores do TikTok relataram mesmo terem-se deslocado aos serviços de emergência e hospitais depois de não terem sentido melhoras nos sintomas.
Na maioria dos casos, diz Jordi Gascón, do Hospital Bellvitge, os primeiros sintomas após uma observação desprotegida do eclipse são perda de visão “generalizada ou em forma de manchas”, assim como “distorções nas linhas dos objetos no próprio campo de visão”.
Em alguns dos casos, estes sintomas podem nem surgir de forma imediata. “Não se espera que aconteça imediatamente, mas aparecerá nos próximos dias”, afirma Gascón em declarações à Telecinco.
No caso da nossa Direção Geral de Saúde, é realçada a importância de se entrar em contacto com o SNS24 no caso de notar visão distorcida ou turva, alteração da percepção de cores, diminuição ou perda súbita da visão ou uma dor ocular intensa.
Situação também se verificou no eclipse solar de 1999
Acontece que estas situações não são exclusivas do eclipse de 2026 e, aparentemente, também foram verificadas no eclipse solar de 1999. Tal fica evidente através de um estudo da autoria de Roger Dobson, onde é dado conta que várias pessoas se deslocaram a hospitais no Reino Unido uma semana depois do eclipse do dia 11 de agosto desse ano – o qual marcou o final do último milénio.
Neste estudo, é relatado que no dia 16 de agosto de 1999 foram confirmados seis casos no Reino Unido de pessoas com retinopatia solar. “A maioria dos casos conhecidos resultaram de olhar para o Sol sem proteger os olhos”, pode ler-se neste estudo. “Num dos casos mais sérios, o paciente terá olhado para o Sol durante cerca de 20 minutos sem proteção”.
Ainda assim, em 1999 o número de casos foi considerado significativamente menor do que era esperado.
“Estamos muito satisfeitos com o facto de o número de pessoas que sofrem de retinopatia solar ser relativamente baixo, o que demonstra que a campanha e as mensagens de educação para a saúde funcionaram e chegaram à grande maioria da população”, afirmou na altura o cirurgião oftalmologista do Hospital de Moorfields.
Voltando a 2026, por esta altura ainda deverá ser cedo para sabermos quantas pessoas acabaram por ficar com danos nos olhos como resultado do eclipse solar e de o observarem sem a devida proteção. No entanto, recomenda-se que caso sinta alguns dos sintomas descritos acima se dirija a uma unidade de saúde para uma consulta.

