Zvonimir Boban, ‘lenda viva’ do AC Milan, admite que Ruben Amorim precisa de “tempo”, mas questiona o sistema tático “ilógico” implementado pelo treinador português e desafia-o a convencê-lo com “resultados”.
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05/10/2026
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Zvonimir Boban concedeu, esta segunda-feira, uma extensa entrevista à italiana Rai Radio 1, na qual aproveitou para ‘colocar os pontos nos is’ a propósito da polémica gerada pelo facto de, a meio da semana, no Festival do Desporto de Trento, ter sublinhado que o AC Milan não é o Napoli, pelo que não pode contentar-se com um apuramento para a Liga dos Campeões.
“Eu não percebi o que é que eu disse de tão especial. Eu disse que o AC Milan deveria ambicionar vencer, mas ouvi falar de ‘veneno de Boban’. Não entende o quanto mudou a ideia daquilo que o AC Milan e os seus adeptos devem ser. Não podemos ser medíocres”, começou por afirmar o ex-internacional croata, que se destacou ao serviço do clube, entre 1992 e 2001.
“Se aceitarmos que a máxima ambição é o apuramento para a Liga dos Campeões, todos os anos, então, eu não percebi nada daquilo que me ensinaram, em Itália, nem daquilo que o meu pai me passou, ao ver [Gianni] Rivera e a sonhar que, um dia, como futebolista, pudesse repetir aquilo que ele fez”, acrescentou.
Nesse sentido, o histórico médio, de 57 anos de idade, pediu mais a Ruben Amorim: “Neste momento, o AC Milan está a aguentar-se firme, ainda que o jogo não pareça prometer grande coisa. Este sistema de 3x5x2, que se transforma num 5x2x3 ou num 3x4x3, torna-se, no final, numa linha defensiva de cinco homens, com jogadores nas alas que se massacram entre si”.
“É um pouco ilógico. Se Amorim, com o espírito positivo que trouxe, conseguir chegar até ao final, na Liga Europa, apesar de um plantel com pouca profundidade, todos ficaremos satisfeitos. Eu duvido, tal como duvida uma grande parte do futebol italiano, que analisa a situação com maior profundidade e qualidades. É duvidoso”, completou.
“Ruben Amorim tem de convencer-nos a todos com resultados”
Zvonimir Boban assumiu, no entanto, que ainda é “cedo” para tirar conclusões sobre o trabalho levado a cabo por Ruben Amorim, no Stadio Giuseppe Meazza: “Como já disse, eu não gosto de jogar com três na defesa. As corridas tornam-se longas e cansativas, as linhas quebram e a ligação torna-se mais difícil de manter durante os 90 minutos”.
“É preciso ter uma grande capacidade nas alternâncias para manter a qualidade nos alas, nos laterais e no meio-campo. O jogo com o Lecce [vitória, por 3-0] correu melhor do que os jogos nos quais o AC Milan sofreu muito, mas estamos apenas no início do processo”, analisou o homem que ocupou o cargo de dirigente desportivo dos rossoneri, entre 2019 e 2020.
“Mesmo que todos os jogos pareçam trazer anos de discussão, dado o mundo em que vivemos, em que há tanto para falar e ler, nós precisamos de dar-lhe tempo. Ele tem de convencer-nos a todos com resultados, e é normal que precise de consistência e de tempo para trabalhar”, concluiu, em jeito de aviso ao treinador português.

