O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, discutiram hoje os esforços para alcançar um acordo de paz entre a Rússia e a Ucrânia, abordando também a segurança no Mar Negro e os preparativos para a reunião dos ministros da NATO.
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22/10/2026
por
Lusa
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, discutiram hoje os esforços para alcançar um acordo de paz entre a Rússia e a Ucrânia.
Em comunicado, o Departamento de Estado informou que Rubio e Rutte também abordaram a questão da segurança no Mar Negro, onde a vigilância foi reforçada e uma aeronave norte-americana posicionada na Bulgária. Além disso, trataram dos preparativos para a reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da Aliança, prevista para dezembro.
O Presidente russo Vladimir Putin declarou hoje estar pronto para retomar negociações tripartidas com Ucrânia e Estados Unidos, mas para alcançar um acordo de paz definitivo, e não um cessar-fogo “curto”, reiterando a exigência de território ucraniano.
“O objetivo destas discussões será tratar a questão das garantias de segurança, tanto para a Ucrânia como para a Rússia (…) no âmbito de um acordo final, e não após uma espécie de breve pausa nos combates”, disse Putin a um jornalista da televisão estatal.
O Presidente russo rejeitou categoricamente a última proposta apresentada pelo seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, para “congelar” a atual linha da frente no leste do país – o Donbass, que compreende as regiões de Donetsk e Lugansk – em troca do início de negociações diretas.
Putin refutou ainda a visão de Zelensky sobre a integridade territorial da Ucrânia, argumentando que toda a região oriental é “território russo”, invocando referendos sobre a independência realizados nas partes das duas províncias ucranianas sob ocupação russa.
Os referendos não foram reconhecidos internacionalmente como legítimos, à exceção de alguns aliados de Moscovo. Depois dos não reconhecidos referendos, as duas províncias foram incorporadas na Federação Russa.
“A minha posição a este respeito é que este não é território deles; historicamente, é território russo”, afirmou Putin, rejeitando tratarem-se de “perdas territoriais” da Ucrânia.
Putin insistiu ainda que qualquer ideia de uma vitória militar contra a Rússia é uma ilusão, e que Zelensky e os seus aliados devem abandonar esta estratégia, apesar de as forças russas não fazerem avanços significativos no terreno há vários anos e o conflito se aproximar do 5.º aniversário.
Zelensky, defendeu hoje que o país não pode abdicar das cidades de Sloviansk e Kramatorsk, em Donetsk, porque se o fizesse, abriria caminho à Rússia chegar à província de Dnipro.
“Podem apoderar-se de muitas das nossas cidades. O risco é real”, advertiu.
“Se lhes entregarmos as nossas cidades, o risco é enorme (…). Ninguém nos garante nada (…). Se retirarmos, onde estão as garantias de segurança?”, perguntou Zelensky, numa entrevista concedida ao ‘podcast’ britânico “The Diary of a CEO”.
O chefe de Estado ucraniano salientou também “quão injusto” seria entregar essas duas zonas de Donetsk, que são os últimos bastiões que restam à Ucrânia, não só nessa província, mas em toda a região oriental do Donbass, onde Lugansk já está sob controlo russo desde julho de 2022, apenas meses depois do início da invasão russa da Ucrânia, a 24 de fevereiro do mesmo ano.
Atualmente, a Rússia controla entre 75% e 85% de Donetsk, mas não as cidades de Kramatorsk e Sloviansk — zonas de grande importância simbólica e estratégica, que albergam um extenso polo industrial, do qual depende a economia local, e uma rede ferroviária e rodoviária vital para a ligação às províncias de Kharkiv e Dnipro.
Se esses bastiões caíssem, a defesa ucraniana no resto do Donbass acabaria por colapsar.
Putin reafirmou há dias que o objetivo prioritário é “libertar” Donetsk do que resta do “regime de Kiev”.
Zelensky estimou que a Rússia controla entre 18% e 19% do território ucraniano e alertou que Putin também tem como alvo cidades como Zaporijia e Mykolaiv, “embora não o diga diretamente”.
O líder ucraniano voltou também a sublinhar que a Ucrânia já está a fazer “uma grande cedência” à Rússia só ao “manter a situação atual” e na quarta-feira, numa entrevista ao canal televisivo norte-americano Fox News, manifestou inclusive disponibilidade para “congelar” a atual linha da frente, caso isso permitisse avançar para um plano de paz.
A linha da frente estende-se por cerca de 1.000 quilómetros, e as forças russas controlam aproximadamente 20% do território ucraniano, incluindo a península da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014, e as zonas do Donbass.

