Santiago vence leucemia e discursa na AR: “Tenho 12 anos. Não sou médico”

Santiago vence leucemia e discursa na AR:

Santiago Silva, com 12 anos, discursou na Assembleia da República após vencer uma leucemia de Burkitt. Criou uma petição pública para debater a criação de uma Unidade de Cuidados Intensivos pediátricos no IPO do Porto. “Não sou médico. Não sou especialista em hospitais”, afirmou aos deputados.

© Reprodução ARTV


22/10/2026
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Notícias ao Minuto

Santiago contou as dificuldades pelas quais passou, salientando que sofreu um tamponamento cardíaco – que fez com que tivesse de ser encaminhado do IPO para o Hospital de São João: “Fiquei em coma durante dois dias […] Durante várias horas, o meu pai e a minha mãe não sabiam exatamente o que estava a acontecer comigo. Sabiam apenas que alguma coisa muito grave tinha acontecido. E ficaram à espera. À espera de notícias. À espera que alguém lhes dissesse como eu estava. À espera sem saber se tudo ia ficar bem”. 

Depois, “quando tudo começou a estabilizar e consegui perceber melhor aquilo que tinha acontecido”, algumas questões começaram a pairar na mente de Santiago. “Pensei que eu tive ajuda. Pensei nos profissionais que estiveram comigo e fizeram tudo o que podiam. Eu pensei na minha família. E pensei que tive sorte”. 

“Mas apareceu uma pergunta na minha cabeça que nunca mais desapareceu. E se acontecer a outra criança? E se estiver muito doente? E se, naquele momento, não houver uma vaga? E se tiver de ir para longe?”, vincou, citado pelo Jornal de Notícias.

E foi assim que criou a petição pública. “Eu tenho 12 anos. Não sou médico. Não sou especialista em hospitais. E não quero vir à Assembleia da República explicar aos médicos como devem organizar os Cuidados Intensivos Pediátricos. Essa não é a minha função”, destacou ainda aos deputados, acrescentando que “quando uma criança está muito doente, ela não pode ficar dependente da sorte.”

“Não pode depender de naquele momento existir ou não uma vaga. Não pode depender de ser segunda-feira ou domingo. Não pode depender de estar no Porto, em Lisboa ou noutra cidade”, frisou.

E terminou: “Foi por essa criança que comecei esta petição. Uma criança que eu provavelmente nunca vou conhecer. Não sei o seu nome. Não sei quantos anos terá. Não sei quando vai precisar de ajuda. Mas sei que ela pode existir. E, se um dia acontecer, gostava que aquilo que nós fizemos aqui servisse para alguma coisa“.

Veja aqui na íntegra a audiência aos subscritores da carta aberta – Compromisso Público com a Oncologia, na qual Santiago Silva discursou.

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Lusa | 13:01 – 15/10/2026

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