Filipa Torrinha Nunes manifesta-se sobre artistas que cancelaram presença no Commedia a La Carte Fest por causa do cabeça de cartaz, Jerry Seinfeld, e comprada situação ao caso da TVI por causa de polémica com Cristina Ferreira.
© Instagram/Filipa Torrinha Nunes
15/09/2026
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Notícias ao Minuto
Perante a onda de falatório por causa dos artistas que cancelaram a sua presença no Commedia a La Carte Fest por causa do cabeça de cartaz, Jerry Seinfeld, Filipa Torrinha Nunes decidiu manifestar-se publicamente.
A psicóloga e comentadora do “Passadeira Vermelha”, da SIC Caras, comparou o tema ao caso daa TVI, que ficou no centro das atenções por causa de comentários polémicos feitos por Cristina Ferreira no “Dois às 10” quando estava a falar da notícia de uma jovem que foi violada.
“Preciso da vossa ajuda, que estou um bocadinho confusa. Se um artista participar num festival de comédia que tem como cabeça de cartaz Seinfeld, significa automaticamente subscrever os seus ideais e valores, então, por essa ordem de ideias, trabalhar na TVI, depois da editação ter emitido um comunicado deplorável em resposta ao posicionamento da ERC desfavorável ao que Cristina Ferreira tinha dito sobre um caso específico de violação, é confuso, eu sei, significa automaticamente subscrever o posicionamento do canal”, começou por introduzir Filipa Torrinha Nunes.
“Porque aplaudimos tanto de pé todos os artistas que desistiram do espetáculo, que fico a pensar como é que será aplicar este mesmo método noutro tipo de situações”, acrescentou.
“E embora respeite muito e acho muito válido todos aqueles que desistiram, e na verdade estão do mesmo lado da barricada dos valores que eu, a realidade é que não deixa de estar associada a um certo folclore ideológico, que não só na prática não funciona assim tão bem, como também é mais ruidoso do que eficaz”, completou num vídeo que publicou na sua página de Instagram.
ERC condena TVI por abordagem a caso de violação no programa de Cristina
De recordar que, recentemente, o Conselho Regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) concluiu que a TVI “não observou ética de antena” numa entrevista de Cristina Ferreira, sobre um caso de violação, que o regulador diz relativizar e justificar os agressores.
A ERC indicou que “foram proferidas declarações sobre um caso de violação sexual que atenuam a gravidade da ação dos agressores e da violência perpetrada”.
Para o regulador, “o enquadramento conferido ao tema coloca frequentemente como dubitável o não consentimento da vítima, transferindo para si a responsabilidade e culpabilização, estabelecendo uma relação causa/efeito da violência sexual, colocando nela o potencial de ‘evitar’ semelhante desfecho”.
Em causa estão as declarações de Cristina Ferreira, no programa “Dois às 10”, em abril, sobre o caso dos quatro influencers acusados de, em 2025, terem violado uma adolescente de 16 anos e filmado os atos sexuais, em Loures.
Em resposta, a TVI passou uma nota e expressaram ainda: “[…] Importa sublinhar que a TVI entende estarmos perante um caso de desproporcionalidade e desajustamento da realidade por parte da ERC, que em situações semelhantes envolvendo outros canais de televisão adotou atitudes distintas. Considera-se injusta e inadequada, a decisão da ERC, ao mesmo tempo que se reitera o compromisso da TVI para com a independência, o pluralismo e o respeito pela liberdade de opinião que a constituição da república portuguesa, felizmente, consagra.”
Perante tal resposta, o influencer Kiko is Hot reagiu: “Faltam-me as palavras, portanto, se calhar vou usar uma música do grande Plutonio para descrever este momento.” E de seguida colocou um pequeno excerto do tema “Vergonha na Cara”.
De recordar também que no caso da polémica com o festival de humor Commedia a la Carte Fest, que vai decorrer de 29 de outubro a 1 de novembro, em Lisboa, uma vez que Jerry Seinfeld é o cabeça de cartaz, vários artistas que faziam parte do evento, como Inês Aires Pereira, Cebola Mol, Pedro Tochas, Carolina Deslandes, Bárbara Tinoco e Tatanka, que cancelaram a participação. Isto por não concordarem com as opiniões políticas do humorista norte-americano, defensor de Israel, que está em conflito com a Palestina.
O que mais está a ser discutido nesta situação é a possibilidade de os cancelamentos terem sido feitos depois de os artistas terem dito sim ao convite mesmo sabendo que tinha Seinfeld como cabeça de cartaz, tendo em conta que as ideias e opiniões do comediante já serem conhecidas há mais tempo e não serem imposições de agora.

