Sonda espacial japonesa sobrevoa asteroide durante teste de defesa planetária

Sonda espacial japonesa sobrevoa asteroide durante teste de defesa planetária

Uma sonda espacial japonesa sobrevoou, hoje, um asteroide próximo da Terra, quando cumpria uma missão destinada a testar uma tecnologia que poderá contribuir para proteger o planeta contra rochas espaciais.

© Shutterstock


05/07/2026
por

Lusa

A sonda Hayabusa2, do tamanho de um frigorífico, deveria passar a menos de 800 metros do asteroide Torifune, segundo tinham indicado anteriormente cientistas da Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA).

 

O objetivo era verificar se uma nave deste tipo poderia, no futuro, contribuir para desviar um asteroide potencialmente perigoso para a Terra.

Esta missão surge depois de a NASA ter colidido deliberadamente, em 2022, com uma nave espacial contra o asteroide Dimorphos, com 160 metros de largura, alterando com sucesso a sua órbita em torno de um asteroide maior.

A Hayabusa2, que se deslocava a mais de 18.000 quilómetros por hora, não estava destinada a colidir com o Torifune.

Os cientistas pretendiam, antes, avaliar a sua capacidade de controlar com precisão a trajetória da sonda, caso esta tivesse, algum dia, de efetuar uma manobra de desvio.

“Às 18:35 (09:35 GMT), a Hayabusa2 sobrevoou o Torifune e a sonda está a funcionar normalmente”, declarou à Agência France-Presse uma porta-voz da JAXA, que preferiu manter o anonimato.

Imagens divulgadas ‘online’ pela agência japonesa mostraram cientistas a aplaudir numa sala de controlo.

“Estava nervoso, completamente tenso (…), mas estou muito contente por termos conseguido levar esta operação a bom termo”, afirmou um dos cientistas durante a transmissão da JAXA.

Se se confirmar que a sonda passou efetivamente a menos de 800 metros de Torifune, esta missão constituiria uma das aproximações mais perto de sempre a um asteroide próximo da Terra.

As câmaras a bordo da Hayabusa2 também registam dados sobre a superfície do asteroide, nomeadamente as suas características geográficas, textura e temperatura, informações cruciais para uma eventual missão de defesa planetária.

“Tendo em conta a diversidade dos asteroides de cruzamento com a Terra (próximos da Terra, NDLR) em termos de tamanho, forma, superfície e propriedades internas, cada nova imagem permite-nos estar melhor preparados”, sublinhou Patrick Michel, cientista da Agência Espacial Europeia.

Lançada em 2014, a Hayabusa2 já maravilhou os cientistas ao aterrar no asteroide Ryugu, situado a cerca de 300 milhões de quilómetros do nosso planeta, para recolher amostras.

Após a missão Torifune, a sonda deverá tentar, em 2031, um ‘rendez-vous’ – uma manobra que consiste em voar nas proximidades ou aterrar num asteroide para recolher dados detalhados – com outro asteroide, denominado 1998KY26.

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