O presidente do Conselho Europeu, António Costa, garantiu que a escolha de um representante europeu para participar nas negociações sobre a guerra na Ucrânia será discutida na próxima reunião informal do organismo, em Dublin.
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05/11/2026
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Lusa
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, garantiu hoje que a escolha de um representante europeu para participar nas negociações destinadas a pôr fim à guerra na Ucrânia será discutida na próxima reunião informal do organismo, em Dublin.
O político português respondeu desta forma à primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, que transmitiu hoje a António Costa que a União Europeia (UE) deve escolher até ao final do ano um representante para participar nas negociações.
O líder do Conselho Europeu garantiu que este tema será debatido “mais aprofundadamente” na próxima reunião informal do Conselho Europeu, prevista para o final da próxima semana em Dublin.
“Reservarei tempo para essa discussão”, apontou.
António Costa frisou que partilha a visão de Giorgia Meloni, de que “a União Europeia deve estar devidamente envolvida nas discussões que moldam a segurança da Europa e o futuro da Ucrânia”.
“A participação da União Europeia deve ser organizada de forma a permitir-lhe transmitir uma mensagem clara e unificada, defender os seus interesses e apoiar a Ucrânia”, pode ler-se na resposta do antigo primeiro-ministro português.
Costa lembrou na missiva que já levantou esta questão “em diversas ocasiões anteriores”, durante as discussões entre líderes.
“Estou convicto de que o nosso interesse comum é assegurar que a União Europeia contribui eficazmente para uma paz justa, duradoura e sustentável, em estreita cooperação com a Ucrânia e os nossos restantes parceiros”, insistiu ainda.
Numa carta dirigida ao antigo primeiro-ministro português, Meloni defendeu que os países europeus devem ultrapassar as divergências na condução dos contactos diplomáticos sobre o conflito.
“À luz dos recentes desenvolvimentos, vejo-me obrigada a voltar a uma questão que tenho levantado repetidamente no Conselho Europeu. Refiro-me à necessidade de a Europa falar a uma só voz sobre a questão ucraniana, uma necessidade que já não pode ser adiada”, escreveu Meloni.
A chefe do Governo italiano considerou que a multiplicação de iniciativas diplomáticas, realizadas em diferentes formatos e com a participação de diferentes países, está a prejudicar a credibilidade europeia.
Segundo Meloni, esta situação torna os europeus “pouco fiáveis na gestão de uma das questões mais complexas que as nossas nações enfrentam”.
Na carta, Meloni solicitou formalmente a António Costa que inclua a questão na agenda da próxima reunião informal do Conselho Europeu.
O objetivo é permitir que os chefes de Estado e de Governo da UE formalizem uma decisão na reunião do Conselho Europeu de dezembro.
A escolha deverá ser precedida de consultas com o Reino Unido, a Noruega e outros parceiros europeus envolvidos nos esforços diplomáticos relacionados com a Ucrânia.
A primeira-ministra italiana, que tem vindo a ser apontada como uma das potenciais figuras políticas a ser designada para representante da UE nas negociações de paz, terminou a carta manifestando confiança no presidente do Conselho Europeu para dar prioridade ao assunto.
“Confio que fará desta questão uma das suas prioridades e sabe que pode contar sempre com o meu apoio”, concluiu Meloni.

