O produtor de cinema Harvey Weinstein não vai enfrentar um quarto julgamento por uma acusação de violação em Nova Iorque. Os promotores desistiram do caso após a queixosa alegar que não conseguia testemunhar novamente.
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26/06/2026
por
Lusa
Harvey Weinstein não vai enfrentar um quarto julgamento por uma acusação de violação em Nova Iorque. Os promotores abandonaram hoje o caso da era #MeToo, depois da queixosa ter dito que não conseguia suportar testemunhar novamente.
O magnata do cinema foi condenado por outro crime sexual em Nova Iorque e por outros na Califórnia, e continua na prisão.
Mas, a acusação de violação em Nova Iorque continuava por resolver depois de uma condenação anulada seguida por dois júris sem veredicto.
Jessica Mann, cabeleireira e atriz, passou dias no banco das testemunhas em todos os três julgamentos, contando aos jurados que Weinstein a violou num hotel em Manhattan em 2013 e sendo extensivamente interrogada sobre a relação complexa que teve com o cineasta antes e depois.
O produtor e vencedor de um Oscar negou a acusação e disse que tudo o que aconteceu entre ele e Mann foi consensual.
Numa carta citada hoje em tribunal pela procuradora Nicole Blumberg, Mann disse que já não conseguia “suportar passar por isto”, acrescentando que o caso de oito anos a tinha “afetado profundamente”. Este “causar-me-ia mais mal do que bem”, acrescentou.
Blumberg disse ao tribunal que os procuradores acreditam em Mann e elogiam a sua “coragem, força e inspiração” para outros sobreviventes, mas dado o estado e que se sente para prosseguir, “a desistência é apropriada”.Com isso, o juiz Curtis Farber formalmente desistiu do caso.
Weinstein saiu do tribunal com uma expressão neutra, voltando para a prisão para aguardar uma sentença em setembro por uma condenação por agressão sexual em Nova Iorque, envolvendo uma outra mulher.
Os procuradores estão a pedir uma pena de prisão de 20 anos. Depois de Weinstein cumprir a punição que receber em Nova Iorque, ele terá de cumprir 16 anos na Califórnia, onde foi condenado por violar uma terceira mulher, que é uma atriz italiana.
O produtor de cinema está a recorrer de ambas as condenações. Os advogados de Weinstein disseram que ele estava aliviado com a desistência do caso em torno da alegação de Mann.
“Estas acusações nunca deviam ter sido apresentadas desde o início”, afirmou o advogado Jacob Kaplan fora do tribunal, acrescentando: “Ele é inocente”.
Mann testemunhou que teve um relacionamento intermitente com Weinstein, que na altura era casado. Mas, a atriz contou aos jurados que tentou várias vezes ir embora e disse não a qualquer atividade sexual, e ele encurralou-a num quarto de hotel a 18 de março de 2013.
Segundo Mann os dois tinham planeado encontrar-se no lobby do hotel para o pequeno almoço, mas ele espontaneamente tinha reservado um quarto. Ela disse que ele insistiu, exigindo que se despisse e agarrando-lhe os braços, até ela ter medo de continuar a protestar.
O julgamento mais recente, esta primavera, teve um efeito visível em Mann, de 40 anos. Durante cinco dias de depoimento, ela foi interrogada pela primeira vez sobre uma nota tipo diário, desnudando a sua alma, que escreveu dois dias após a alegada violação, embora a nota não mencionasse isso.
Numa altura durante o seu depoimento, Mann disse que estava com dificuldade em concentrar-se, o que levou o tribunal a encerrar mais cedo a audiência nesse dia.
Na sua carta de hoje ao tribunal, Mann disse que tinha sofrido uma lesão cerebral traumática pouco antes do seu depoimento, teve dores de cabeça e outros sintomas durante a sua intervenção e acabou por se “desassociar”.
Isso, já foi uma humilhação adicional, numa experiência já esmagadora, escreveu. “Fui fragmentada, silenciada, difamada e traumatizada. Paguei o preço da minha reputação”, acrescentou Mann.
Criticando o tribunal, os media e Weinstein, a atriz disse que a sua experiência mostrou que “procurar justiça é melhor considerar como um sonho impossível”.
Weinstein foi uma das figuras mais poderosas da indústria cinematográfica, produtor de filmes icónicos como “Shakespeare in Love,” “Pulp Fiction” e “Chocolat.”
Depois, viu uma série de alegações de má conduta sexual contra a tornarem-se públicas em 2017, alimentando a campanha #MeToo por responsabilização e eventualmente levando a acusações criminais em Nova Iorque e Los Angeles.
Ele negou todas as acusações e foi absolvido de algumas, mas foi condenado noutras.
A acusação de violação neste caso era um crime de nível inferior punível com até quatro anos de prisão — menos tempo do que Weinstein, 74, já cumpriu.

