O Grupo Volkswagen pode pode tomar novas medidas de poupança para enfrentar a situação delicada em que se encontra. Nos últimos meses, tem-se especulado sobre o encerramento de fábricas e corte de 100 mil trabalhos.
© Reuters/Axel Schmidt/File Photo
25/08/2026
por
Lusa
Dias difíceis para o Grupo Volkswagen. A braços com uma situação financeira complicada o diretor-executivo, Oliver Blume, considera que devem ser tomadas novas medidas de poupança, quando paira a especulação sobre o encerramento de fábricas na Alemanha e o corte de 100 mil empregos em todo o mundo.
“Precisamos de reduzir a complexidade, simplificar as nossas estruturas de forma coerente e reduzir os custos“, afirmou Oliver Blume durante uma reunião com os trabalhadores na sede do grupo, em Wolfsburg (Alemanha), segundo os meios de comunicação alemães.
Segundo o responsável, “toda a indústria está sob uma enorme pressão” devido às políticas aduaneiras, aos novos concorrentes e aos riscos geopolíticos.
O grupo Volkswagen, ao qual pertencem marcas como Volkswagen, Audi, Porsche e Seat/Cupra, iniciou um processo de reestruturação e anunciou, em dezembro de 2024, planos para cortar 50 mil postos de trabalho na Alemanha.
Nos últimos meses, Blume defendeu a necessidade de reduzir mais 50 mil posições, duplicando o número antes anunciado e encerrar quatro fábricas na Alemanha.
Trabalhadores contestam números
A presidente dos conselhos gerais e de grupo de trabalhadores da Volkswagen, Daniela Cavallo, criticou os números avançados pelo CEO, considerando que os 50 mil despedimentos adicionais são um valor calculado teoricamente para melhorar a imagem da empresa nos mercados financeiros.
“Não se pode trabalhar com um presidente executivo que não diz aos seus funcionários o que têm de fazer!”, afirmou, criticando a ausência de um plano concreto.
Crescimento no mercado não chega e os custos explicam
Ainda assim, Blume reconheceu que as quotas de mercado do grupo estão a crescer, mas ainda não é suficiente.
Segundo o CEO, os custos do Grupo Volkswagen não relacionados com a produção automóvel são 30 por cento superiores aos de empresas comparáveis.
“Na perspetiva atual, aproximadamente metade dos ajustamentos necessários diz respeito à Alemanha e a outra metade a nível internacional, num total de cerca de 170 empresas”, acrescentou.
Blume alertou ainda que, caso a empresa mantenha a atual estrutura na Alemanha, enfrentará “uma desvantagem permanente de cerca de 1.500 milhões de euros por ano“.
“É precisamente por isso que estamos sob uma enorme pressão para agir”, sublinhou.
A reunião em Wolfsburg é a primeira de uma série de encontros com trabalhadores de várias fábricas, durante os quais Blume deverá responder às questões dos funcionários.
De acordo com a televisão alemã ZDF, o encontro de hoje ficou ainda marcado por protestos dos trabalhadores contra os planos de poupança.

