Volkswagen tem capacidade de produção a mais. Poderá a China ser solução?

Volkswagen tem capacidade de produção a mais. Poderá a China ser solução?

A Volkswagen lida com um problema de excesso de capacidade de produção. Poderá a solução vir da China, seja com modelos desenvolvidos para o país ou através da partilha de fábricas com fabricantes chineses?

© Jan Woitas/picture alliance via Getty Images


01/11/2026
por

Bernardo Matias

O Grupo Volkswagen, como outros fabricantes automóveis ocidentais, lida com o excesso de capacidade de produção – estando até em cima da mesa o potencial fecho de fábricas na Alemanha, no âmbito do plano de reestruturação para enfrentar a maior crise da sua história.

 

Outros construtores estão a apostar em acordos de cooperação com concorrentes chineses, abrindo-lhes as portas das suas instalações industriais para rentabilizarem as capacidades instaladas. São os casos da Stellantis com a Dongfeng e a Leapmotor ou da Ford com a Geely.

Na conferência de apresentação de resultados aos investidores, transcrita pelo Yahoo Finance, o diretor financeiro Arno Antlitz foi questionado sobre a possibilidade de licenciamento aos fabricantes chineses na Europa ou até trazer até ao Velho Continente modelos concebidos para a China.

Na resposta, começou por recordar que houve uma forte quebra de vendas no mercado europeu no geral com a pandemia, ao mesmo tempo que os chineses estão a expandir-se consideravelmente e as exportações para fora da Europa estão a diminuir.

São fatores que, segundo Arno Antlitz, deixaram o Grupo Volkswagen com um excesso de capacidade de produção de 500 mil carros: “Não podemos garantir a operação dessas quatro fábricas alemãs“. E há várias soluções possíveis.

O diretor financeiro começou por apontar uma delas: “Pode ser analisar os carros que não temos na Europa. Por exemplo, SUVs grandes para a Volkswagen como sucessores do Touareg. Isso poderia representar uma oportunidade para uma fábrica na Europa, mas apenas se o modelo for Volkswagen”.

Trazer modelos chineses para a Europa tem potenciais riscos para a gama local: “Além disso, temos de considerar que, se investirmos num carro chinês para ser produzido numa fábrica alemã e for equivalente, por exemplo, a um SUV compacto como o Tiguan, teríamos preenchido uma fábrica inteira com um Tiguan produzido na China. Isso, no entanto, reduziria o volume de vendas do nosso Tiguan atual, pressionando a produção em Wolfsburgo. Portanto, temos de avaliar se essa é realmente uma oportunidade viável”.

Explicou Arno Antlitz que essa análise tem de ponderar se seriam veículos de novos segmentos ou se iriam atrair novos clientes ou compradores que substituíssem outros modelos.

Abrir fábricas a chineses?

Fora de hipótese parece estar a partilha de fábricas com a concorrência – pelo menos na posição deste dirigente do conglomerado germânico: “Não aconselharia, digamos assim, a construir concorrentes nas nossas próprias fábricas. Eles vão absorver-nos, tomar o volume de vendas que nos é destinado e iríamos fortalecê-los“.

Prejuízo da Volkswagen aproximou-se dos 6 mil milhões de euros

Continua o momento difícil do Grupo Volkswagen, que apresentou um prejuízo de 5,8 mil milhões de euros no terceiro trimestre de 2026 – mais do que quintuplicou face ao mesmo período do ano passado.

Lusa | 08:44 – 29/10/2026

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