O Tribunal da Feira agendou para 21 de dezembro a leitura do acórdão do processo Vórtex, relacionado com corrupção na Câmara de Espinho que envolve dois ex-autarcas, depois de quatro adiamentos.
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02/11/2026
por
Lusa
O Tribunal da Feira agendou para 21 de dezembro a leitura do acórdão do processo Vórtex, relacionado com corrupção na Câmara de Espinho que envolve dois ex-autarcas, depois de quatro adiamentos.
Num despacho, datado de 26 de outubro e consultado hoje pela Lusa, o juiz presidente do coletivo que julgou o caso, Carlos Azevedo, designa o dia 21 de dezembro, às 10h30, para continuação de audiência com previsível leitura de acórdão.
A sessão chegou a estar agendada para 20 de março, 17 de abril, 22 de maio e 04 de setembro, mas foi sempre adiada.
No caso da última data, o adiamento ficou a dever-se ao facto de o tribunal ter efetuado comunicação aos sujeitos processuais de uma alteração não substancial dos factos, sendo concedido prazo aos mesmos para o exercício de contraditório.
O processo Vórtex, que começou a ser julgado a 05 de setembro de 2024, no Tribunal de Espinho, está centrado em “projetos imobiliários e respetivo licenciamento, respeitantes a edifícios multifamiliares e unidades hoteleiras, envolvendo interesses urbanísticos de dezenas de milhões de euros, tramitados em benefício de determinados operadores económicos”.
Em causa estão atos de corrupção alegadamente praticados por dois ex-presidentes da Câmara de Espinho, Miguel Reis e Pinto Moreira, num processo que tem mais seis arguidos singulares e cinco empresas, relacionado com projetos imobiliários e licenciamentos urbanísticos.
A operação culminou em 10 de janeiro de 2023 com a detenção do então presidente da Câmara, Miguel Reis, o chefe da Divisão de Urbanismo e Ambiente daquela autarquia, um arquiteto e dois empresários por suspeitas de corrupção ativa e passiva, prevaricação, abuso de poderes e tráfico de influências.
Em 10 de julho do mesmo ano, o Ministério Público (MP) deduziria acusação contra oito arguidos e cinco empresas, incluindo o então deputado do PSD Pinto Moreira, o qual foi o antecessor de Miguel Reis na autarquia.
Miguel Reis está acusado de quatro crimes de corrupção passiva e cinco de prevaricação, enquanto Pinto Moreira responde por dois crimes de corrupção passiva, um de tráfico de influência e outro de violação das regras urbanísticas.
Nas alegações finais, o MP pediu a condenação dos dois ex-autarcas a penas entre os cinco e nove anos de prisão.
O empresário Francisco Pessegueiro, para quem o MP pediu uma pena entre os três e os sete anos de prisão, está acusado de oito crimes de corrupção ativa, um de tráfico de influência, cinco de prevaricação e de dois crimes de violação das regras urbanísticas.
Miguel Reis e Francisco Pessegueiro chegaram a estar em prisão preventiva, mas foram, entretanto, libertados.

