O conflito no Médio Oriente não tem fim à vista e, a pouco mais de três meses do Dakar, a Arábia Saudita continua a ser, aparentemente, o único plano do Dakar 2027 – quando o Mundial de Ralis (WRC) já cancelou a sua presença prevista para novembro.
© Giuseppe Cacace / AFP via Getty Images
24/09/2026
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Notícias ao Minuto
Este ano, os calendários desportivos do desporto motorizado estão a ser afetados pela guerra no Médio Oriente, que tem vindo a motivar o cancelamento ou o adiamento dos eventos na região.
Um dos países afetados é a Arábia Saudita, onde a Fórmula 1 e o Mundial de Ralis (WRC) cancelaram oficialmente a sua presença. O Dakar está marcado para aquele mesmo país no início de janeiro (faltam cerca de três meses) mas, até agora, não se pronunciou. E, ao que tudo indica, nem há um plano B na equação por agora.
De acordo com o jornal Marca, a Amaury Sport Organisation (ASO) mantém-se firme nos planos de o tiro de partida ser dado a 1 de janeiro na Arábia Saudita como está previsto: “O Dakar será na Arábia Saudita, da nossa parte continua tudo igual“, terão dito às equipas que questionaram o assunto, segundo o já citado órgão.
Restrições de viagens, receios individuais e não só
Porém, o conflito permanece e o clima no Médio Oriente continua a ser de alta tensão – sem perspetivas de que o cenário melhore em breve. Ora, perante a sensação de insegurança (mais do que sensação, os perigos são reais, tendo até em conta os recentes ataques dos houthis em solo saudita), claro está que as equipas e pilotos estão céticos quanto à realização normal do Dakar nas pistas sauditas que o recebem desde 2020.
Até porque podem existir restrições de viagens ou recomendações fortes para as evitar, sendo que a Ford pode ter dificuldades para lá colocar os seus funcionários americanos. A Toyota – que proíbe funcionários de irem a zonas de conflitos – considera que é cedo para tomar decisões. Mas a KTM – que participa nos motociclos – considera que o cancelamento é inevitável.
Mas não é o único fator. Há o receio das pessoas individuais, com mecânicos a admitirem não fazer a viagem se a prova se mantiver – de acordo com o dirigente de uma equipa ouvido pelo jornal desportivo espanhol. E os próprios pilotos, que são os protagonistas, também podem não querer arriscar ou não poder deslocar-se.
Depois, há a dimensão dos seguros, já que as seguradoras podem não cobrir o risco associado a um conflito bélico na região ou cobrar consideravelmente mais por isso. E há ainda a questão do transporte das viaturas participantes, que não só fica mais inseguro, como também mais caro e até sujeito a atrasos.
Perante o cenário de grande incerteza, os participantes precisam de garantias mais sólidas sobre o que vai acontecer. O cancelamento do Dakar em cima da hora não seria um caso “virgem” – veja-se o que aconteceu em 2008, em que segundo uma fonte ouvida pela Marca “muitas pessoas se arruinaram”.
Para já, não há alternativa ponderada
Enquanto ir à Arábia Saudita pode tornar-se inviável, também não existem alternativas delineadas para o Dakar 2027. Segundo a Marca, Marrocos tem vindo a ser apontado como uma solução de recurso, mas a ASO ainda descarta tal eventualidade.
O país é uma paragem habitual do Mundial de Rally-Raid (cujo calendário anual começa sempre no Dakar), que vai acolher agora em outubro. O território marroquino pode oferecer paisagens e desafios que se encaixam com aquilo que é o Dakar (que, nas suas origens africanas, não raras vezes passou por Marrocos entre meados da década de 1990 e 2007).

