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31/10/2026
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Quando se fala em Alzheimer, a perda significativa de memória é o primeiro sintoma que vem à mente. Contudo, a doença pode manifestar de várias formas, conforme revelam especialistas ao HuffPost.
“A maioria das pessoas espera que o Alzheimer comece com o esquecimento de nomes ou a perda de chaves”, notou o neurologista e professor Majid Fotuhi. “Normalmente, as primeiras mudanças são mais subtis”.
Assim, tal como refere o especialista, os sintomas iniciais podem ser “graduais” e atribuídos ao stress, fadiga e envelhecimento.
“As pessoas também temem o que uma avaliação possa significar para sua independência”, notou a neurologista Shaheen Lakhan.
Ora, a pessoa que está a passar por mudanças pode até nem dar conta delas. “Em alguns casos, a doença afeta a consciência das próprias dificuldades”, realça Lakhan. “Isso chama-se anosognosia. A pessoa pode acreditar realmente que nada mudou. Tratar isso como teimosia pode transformar um sintoma neurológico em uma discussão familiar”.
Tendo isto em conta, os especialistas destacaram sinais que poderão ser motivos de alerta.
Mudanças no julgamento e na gestão financeira
“Uma pessoa que antes era cuidadosa começa a atrasar pagamentos, a pagar a mesma conta repetidamente ou a tomar decisões financeiras atípicas”, disse Lakhan. “Um novo padrão de dificuldades, especialmente quando acompanhado de outras mudanças, merece atenção”.
Dificuldades de planeamento e tarefas complexas
“Alguém que sempre foi muito organizado pode, de repente, ter dificuldades em planear coisas ou acompanhar as responsabilidades diárias”, disse Cappon.
Se antes era possível concretizar várias tarefas ao mesmo tempo, agora é complicado. Tarefas complexas também parecem mais desafiadoras ou até mesmo impossíveis.
“Uma pessoa que sempre pagou as contas, geriu os investimentos ou preparou as refeições de Natal começa a cometer erros ou, discretamente, passa essas tarefas para outra pessoa”, explica Fotuhi. “As famílias costumam ver isso como sinal de envelhecimento ou perda de interesse”.
“A vida social das pessoas começa a diminuir”, alerta Lakhan. “Alguém para de organizar encontros, evita um jogo favorito ou isola-se de conversas que antes lhe davam prazer. Acompanhar vários oradores ou lembrar as regras pode tornar-se mais difícil”.
Alterações de humor e comportamento
“Alterações de personalidade e humor, como apatia, afastamento de amigos e hobbies, irritabilidade ou ansiedade repentinas, podem surgir antes de problemas óbvios de memória”, afirma Fotuhi. “Esses sintomas são habitualmente confundidos com depressão ou stress”.
Dificuldade com tecnologia familiar
Os doentes também começam a ter dificuldades em lidar com tecnologias que lhe eram familiares, como por exemplo, a aplicação do banco.
“A perda persistente de habilidades antes dominadas é mais preocupante. Um telefone pode dar uma pista, mas não pode fazer o diagnóstico”, sublinha Lakhan.
Repetir perguntas e lembrar o passado melhor do que o presente. Outro dos sintomas é repetir a mesma história ou perguntas vezes sem conta.
“Uma pessoa pode contar uma história vívida de há 40 anos, enquanto tem dificuldade de se lembrar de uma conversa de há 40 minutos”, disse Lakhan.
“Perguntas repetidas, planos esquecidos ou a necessidade de repetir a mesma explicação podem ser relevados, porque a pessoa ainda parece articulada e bem informada. Memórias antigas preservadas não descartam um problema em aprender e reter novas informações”.
Perder-se em lugares familiares
Majid Fotuhi também apontou para possíveis indicadores, como “errar o caminho numa estrada que percorrem há 20 anos ou sentir-se brevemente desorientado numa loja familiar”.
A diminuição da visão pode ser um fator, mas também pode indicar uma causa cognitiva grave, como a doença de Alzheimer.
Alterações no olfato
Pesquisas também sugerem que a perda do olfato pode ser um sinal precoce.
Um estudo recente descobriu que, na doença de Alzheimer, as células imunológicas do cérebro podem atacar erroneamente as fibras nervosas que transmitem os sinais olfativos. Isso poderia explicar porque é que a perda do olfato pode surgir anos antes do diagnóstico.

