Um português de férias em Albufeira avançou contra a multidão que estava numa rua de bares, cortada ao trânsito, e atropelou 12 pessoas, deixando uma em estado grave. Quando foi detido pediu “desculpa”, mas não revelou as suas intenções. Estava alcoolizado.
© Facebook / Albufeira em Alerta
25/08/2026
por
Natacha Nunes Costa, Lusa
Um condutor embriagado, de 35 anos, atropelou 12 pessoas, entre os quais dois militares da GNR, na madrugada desta terça-feira, 25 de agosto, na zona de bares da Rua da Oura, em Albufeira.
As primeiras indicações sobre o incidente davam conta de quatro feridos, um dos quais grave. Mas rapidamente o número foi atualizado.
Afinal são 12 os feridos, dois dos quais graves. E, ao início da tarde desta terça-feira, ambos continuavam internados no Hospital de Portimão, “devido à gravidade dos ferimentos”, como revelou fonte da unidade hospitalar à agência Lusa.
Ao Notícias ao Minuto, a Guarda Nacional Republicana (GNR) revelou que os dois militares atropelados sofreram ferimentos ligeiros. Uma informação confirmada, entretanto, pelo Ministério da Administração Interna (MAI) que, num comunicado enviado às redações, deu conta as vítimas não militares têm entre os 18 e 22 anos.
Jovem portuguesa de 21 anos ferida com gravidade
De acordo com a SIC Notícias, uma das vítimas que está em estado grave é uma jovem portuguesa, de 21 anos. Do outro ferido grave nada se sabe.
Num ponto de situação feito aos jornalistas, a GNR adiantou que a maioria das vítimas têm nacionalidade portuguesa. No entanto, entre os feridos estão, pelo menos, um cidadão espanhol e um polaco.
Detido é português, natural de Angola e com carta de condução angolana
Já o detido, segundo o mesmo canal de televisão, é português, mas natural de Angola. Vivia em Portugal há algum tempo, mais precisamente em Agualva-Cacém. Há alguns anos emigrou para o Reino Unido.
O suspeito, que estava em Albufeira de férias, tinha na sua posse duas cartas de condução: uma angolana, que é legal em Portugal, e outra emitida em Birmingham, Inglaterra, em 2022, com a qual não poderia conduzir por cá.
A veracidade das cartas de condução estão agora a ser avaliadas pelas autoridades.
Ao que tudo indica, o homem, que conduzia com uma taxa de álcool no sangue de 1,29 g/l, o que é considerado crime, deverá ser presente a primeiro interrogatório judicial amanhã, quarta-feira, 26 de agosto.
Pede “desculpa” mas não justifica
No ponto de situação feito durante a manhã, o Major Pedro Pereira da GNR revelou que no momento da detenção, o homem pediu “desculpa” mas não deu nenhuma explicação para o atropelamento.
“Apenas pedia desculpa. Não fez mais do que isso”, evidenciou o responsável da Guarda, realçando que o condutor “era o único ocupante da viatura”.
Só amanhã, durante o interrogatório judicial, é que o homem poderá dar explicações para o atropelamento.
Como tudo aconteceu
Tudo aconteceu por volta das 3h da madrugada, quando o suspeito arrancou, numa viatura que se encontrava estacionada na via pública. Os elementos da GNR que se encontravam no local deram ordem de paragem, mas o homem desobedeceu e inverteu a marcha.
Momentos depois, ao ser novamente intimado a parar pelo militares, o condutor voltou a ignorar a ordem e avançou na direção dos peões e do dispositivo policial, atropelando várias pessoas.
“Nesta altura, os militares da Guarda dispararam alguns tiros para o ar com o objetivo de tentar parar o condutor”, adiantou, por sua vez, o porta-voz da GNR, Carlos Canatário, à agência Lusa.
Na sequência da manobra de fuga, a viatura embateu noutro veículo, tendo o suspeito tentado colocar-se em fuga apeada, momento em que foi intercetado e detido pelos militares do Grupo de Intervenção de Ordem Pública.
MAI “condena”, autarca fala em “ato isolado”. Hotelaria exige mudança
Na nota enviada às redações, além de facultar alguns dados sobre o acidente, o ministro da Administração Interna, Luís Neves, “lamenta e condena” o incidente e mostra-se solidário com as vítimas.
Já o presidente da Câmara Municipal de Albufeira, Rui Crisitina, garantiu que se tratou de um “ato isolado”, sublinhando que a cidade foi reforçada a nível policial, nomeadamente na Rua da Oura, cujos acessos “estão todos interditados” com baias de segurança através do programa Verão Seguro.

