As autoridades etíopes suspenderam hoje, por tempo indeterminado, The Reporter, um dos raros meios de comunicação independentes do país, acusado de divulgar conteúdos que vão “contra os interesses nacionais”.
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02/11/2026
por
Lusa
As autoridades etíopes suspenderam hoje, por tempo indeterminado, o The Reporter, um dos raros meios de comunicação social independentes do país, acusado de divugar conteúdos que vão “contra os interesses nacionais”.
As violações da liberdade de imprensa multiplicaram-se nos últimos meses na Etiópia. O segundo país mais populoso do continente africano, com cerca de 130 milhões de habitantes, ocupa a 148.ª posição entre 180 no índice de liberdade de imprensa estabelecido pela Organização Não-Governamental (ONG) Repórteres Sem Fronteiras (RSF).
Segundo um comunicado publicado no Facebook pela Autoridade Etíope dos ‘Media’ (EMA), o The Reporter, que publica um jornal em inglês e em amárico e dispõe também de um ‘site’ ‘online’, divulgou “informações que mancham a imagem do país, prejudicam a segurança nacional e corroem a unidade e os valores dos povos”.
Os artigos vão “contra os interesses nacionais da Etiópia”, considera a EMA, cujo diretor é nomeado pela Câmara dos Deputados.
Em consequência, o certificado de registo do órgão de comunicação social, que conta com mais de 110.000 seguidores no Facebook, “está totalmente suspenso de publicação e difusão por tempo indeterminado a partir” hoje, indica a EMA.
Hoje assinala-se também o dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes contra os Jornalistas, sob o lema “As ameaças evoluem. A impunidade persiste” e a União Africana – sediada na Etiópia – e a Federação dos Jornalistas Africanos declararam hoje que cada profissional deve poder fazer a sua cobertura sem medo de violência ou de retaliação.
“Neste Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes contra os Jornalistas solidarizamo-nos plenamente com os jornalistas e demais profissionais dos órgãos de comunicação social em toda a África”, declararam, num comunicado conjunto, o comissário para os assuntos políticos, paz e segurança da Comissão da União Africana, Bankole Adeoye, e o presidente da Federação dos Jornalistas Africanos (FAJ), Omar Faruk Osman.
Em fevereiro, a licença de outro meio de comunicação independente, o Addis Standard, tinha sido revogada na Etiópia. A publicação recorreu da decisão.
Em junho, a correspondente do diário francês La Croix foi expulsa da Etiópia.
Segundo os RSF, cinco jornalistas estão atualmente detidos no país. Quatro deles há quase três anos e são processados por “terrorismo”. Arriscam a pena de morte, embora a pena capital seja raramente aplicada.
O primeiro-ministro, Abiy Ahmed, que chegou ao poder em 2018, começou por ser elogiado pela sua abertura: libertou numerosos presos políticos, bem como jornalistas. A sua mão estendida à vizinha Eritreia, com quem as relações são historicamente tensas, valeu-lhe em 2019 o Prémio Nobel da Paz.
Contudo, o chefe do executivo é cada vez mais criticado pelas organizações de defesa dos direitos humanos.

