Autoridades etíopes suspendem meio de comunicação social independente

Autoridades etíopes suspendem meio de comunicação social independente

As autoridades etíopes suspenderam hoje, por tempo indeterminado, The Reporter, um dos raros meios de comunicação independentes do país, acusado de divulgar conteúdos que vão “contra os interesses nacionais”.

© Sebastian Gollnow/picture alliance via Getty Images


02/11/2026
por

Lusa

As autoridades etíopes suspenderam hoje, por tempo indeterminado, o The Reporter, um dos raros meios de comunicação social independentes do país, acusado de divugar conteúdos que vão “contra os interesses nacionais”.

 

As violações da liberdade de imprensa multiplicaram-se nos últimos meses na Etiópia. O segundo país mais populoso do continente africano, com cerca de 130 milhões de habitantes, ocupa a 148.ª posição entre 180 no índice de liberdade de imprensa estabelecido pela Organização Não-Governamental (ONG) Repórteres Sem Fronteiras (RSF).

Segundo um comunicado publicado no Facebook pela Autoridade Etíope dos ‘Media’ (EMA), o The Reporter, que publica um jornal em inglês e em amárico e dispõe também de um ‘site’ ‘online’, divulgou “informações que mancham a imagem do país, prejudicam a segurança nacional e corroem a unidade e os valores dos povos”.

Os artigos vão “contra os interesses nacionais da Etiópia”, considera a EMA, cujo diretor é nomeado pela Câmara dos Deputados.

Em consequência, o certificado de registo do órgão de comunicação social, que conta com mais de 110.000 seguidores no Facebook, “está totalmente suspenso de publicação e difusão por tempo indeterminado a partir” hoje, indica a EMA.

Hoje assinala-se também o dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes contra os Jornalistas, sob o lema “As ameaças evoluem. A impunidade persiste” e a União Africana – sediada na Etiópia – e a Federação dos Jornalistas Africanos declararam hoje que cada profissional deve poder fazer a sua cobertura sem medo de violência ou de retaliação.

“Neste Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes contra os Jornalistas solidarizamo-nos plenamente com os jornalistas e demais profissionais dos órgãos de comunicação social em toda a África”, declararam, num comunicado conjunto, o comissário para os assuntos políticos, paz e segurança da Comissão da União Africana, Bankole Adeoye, e o presidente da Federação dos Jornalistas Africanos (FAJ), Omar Faruk Osman.

Em fevereiro, a licença de outro meio de comunicação independente, o Addis Standard, tinha sido revogada na Etiópia. A publicação recorreu da decisão.

Em junho, a correspondente do diário francês La Croix foi expulsa da Etiópia.

Segundo os RSF, cinco jornalistas estão atualmente detidos no país. Quatro deles há quase três anos e são processados por “terrorismo”. Arriscam a pena de morte, embora a pena capital seja raramente aplicada.

O primeiro-ministro, Abiy Ahmed, que chegou ao poder em 2018, começou por ser elogiado pela sua abertura: libertou numerosos presos políticos, bem como jornalistas. A sua mão estendida à vizinha Eritreia, com quem as relações são historicamente tensas, valeu-lhe em 2019 o Prémio Nobel da Paz.

Contudo, o chefe do executivo é cada vez mais criticado pelas organizações de defesa dos direitos humanos.

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