O trabalho dos cientistas que venceram hoje o Prémio Nobel da Química foi “muito pioneiro” e contribuiu para que na indústria farmacêutica possa ser sintetizado o composto pretendido com maior eficácia, disse à Lusa a química Paula Branco.
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07/10/2026
por
Lusa
“O que acontece com os fármacos e a importância da ciência assimétrica neste caso da indústria farmacêutica é o podermos sintetizar aquele fármaco que vai interatuar com aquele setor biológico que nós queremos e não com outro recetor biológico qualquer no nosso organismo”, explicou a professora da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.
O Prémio Nobel da Química de 2026 foi hoje atribuído a Henri Kagan e Kenso Soai por uma descoberta que ajuda os químicos a fabricar moléculas que existem em duas versões “espelho” uma da outra.
“É muito pioneiro porque desenvolveu certos ligandos e percebeu que esses ligandos catalisavam, por exemplo, só a formação de um fármaco”, acrescentou a especialista.
Segundo Paula Branco, a importância da descoberta é que permite, entre duas moléculas “espelho”, usar “só um determinado composto, porque o outro composto vai interatuar com algum recetor”, podendo provocar “efeitos adversos”.
No fundo, é conseguir fazer com que as reações se produzam em maior quantidade num objetivo preciso.
“Esta é uma preocupação que existiu desde sempre, agora o que se procura é como é que podemos atingir 100% daquele composto que queremos e todos os processos para nos levar a isso são sempre muito importantes”, sublinhou Paula Branco, que se dedica a esta área de estudo.
Este efeito, de conseguir uma amplificação do sinal, traduziu-se “em algo que é novo”, porque “aumenta muito a percentagem daquilo que se pretende sintetizar”, justificou.
O prémio foi atribuído “pela descoberta dos efeitos não lineares e da autocatálise na síntese orgânica assimétrica”, de acordo com o Comité do Prémio Nobel.
Henri B. Kagan, da Universidade de Paris, e Kenso Soai, da Universidade de Ciência de Tóquio, fizeram uma descoberta importante para o fabrico de medicamentos, ao desvendarem um enigma que “durante muito tempo foi um mistério para os químicos”, segundo o Comité.

