Da soberania às redes sociais: Avisos e anúncios de Ursula von der Leyen

Da soberania às redes sociais: Avisos e anúncios de Ursula von der Leyen

Ursula von der Leyen discursou hoje no parlamento europeu para lembrar a importância de defender a identidade da Europa e de lembrar os mais jovens “o quão poderosa esta promessa [da Europa] continua a ser”. Eis tudo o que disse.

© Jean-Christophe VERHAEGEN / AFP via Getty Images


16/09/2026
por

Notícias ao Minuto, Lusa

Ursula Von der Leyen protagonizou esta quarta-feira, 16 de setembro, o segundo discurso sobre o Estado da União do novo mandato, durante a sessão plenária do Parlamento Europeu, na cidade francesa de Estrasburgo.

 

Na sua intervenção, a líder europeia lembrou da necessidade de defender a identidade europeia contra todas as ameaças externas, mostrou-se preocupada com os movimentos de migração em massa e abordou ainda a realidade tecnológica e a necessidade de proteger as crianças dos seus riscos.

Eis os pontos mais importantes do discurso da líder do executivo comunitário.

UE soberana numa “era complexa de grandes perigos”

Von der Leyen começou por lembrar que é preciso defender a “verdadeira soberania aos europeus”, numa “era complexa de grandes perigos”, como a guerra, os ataques híbridos e a ascensão dos extremismos.

“Se olhar para a Europa de hoje, a minha conclusão é esta: o estado da nossa União é o mais forte de sempre, mas o estado da nossa União pode também parecer tão precário como nunca”, disse.

“Quer se trate dos ultranacionalistas ou dos antieuropeus, quer se trate da interferência russa ou da desinformação, os nomes podem ser diferentes, mas o objetivo é o mesmo. Desprezam os nossos valores e querem destruir a nossa unidade europeia. Por isso, não nos limitemos a combater essas forças; lutemos juntos pela nossa ideia europeia”, adiantou a presidente da Comissão Europeia, tendo defendido também a criação de um mecanismo de resposta europeu, inspirado na NATO, para enfrentar ameaças híbridas que atacam a segurança dos 27 Estados-membros.

Mecanismo de emergência na UE após crise de Ceuta

Von der Leyen não excluiu do seu discurso as preocupações com as chegadas em massa de migrantes à União Europeia, anunciando a criação de um novo mecanismo de emergência.

“Os acontecimentos deste verão mostram que os nossos instrumentos precisam de evoluir, sobretudo para situações de emergência. A Europa precisa dos meios para proteger as suas fronteiras em todos os momentos, especialmente em cenários em que movimentos em massa são orquestrados e instrumentalizados”, disse, antes de anunciar um novo Quadro Europeu de Resposta de Emergência.

“Somos nós, europeus, que decidimos quem entra na nossa União e em que circunstâncias e não os passadores e os traficantes”, vincou.

Canadá como primeiro membro associado da União Europeia (UE)?

Por outro lado, a líder europeia mostrou disponibilidade para abrir portas a um novo país, tendo proposto que o Canadá se torne o primeiro membro associado da União Europeia (UE), levando a relação entre os dois blocos ao mais elevado nível possível.

“Gostaria de trabalhar convosco para abrir a porta a que o Canadá seja o primeiro membro associado da UE”, anunciou Ursula von der Leyen, dirigindo-se ao primeiro-ministro canadiano, Mark Carney,

Comissão Europeia quer proibir redes sociais a menores de 13 anos

Na sessão, ficou a saber-se que a Comissão pretende também estabelecer novas regras para o uso da internet entre menores. 

A nova legislação pretende proibir as crianças menores de 13 anos de acederem a redes sociais e de terem contas pessoais até aos 15 anos, para evitar que os menores sejam “atraídos para conteúdos cada vez mais extremos”, disse. Também as plataformas ‘online’ que produzam conteúdos para menores entre os 15 e os 18 anos deverão passar a adotar um ‘design’ seguro, disse referindo-se ao design “viciante” destas plataformas, bem como ao uso de imagens sexualizadas geradas por Inteligência Artificial.

Investimento na nossa energia renovável

A presidente da Comissão Europeia quer duplicar a quota de eletricidade renovável na União Europeia até 2040, reduzindo em 260 mil milhões de euros anuais a importação de combustíveis fósseis.

Perante os eurodeputados, von der Leyen acrescentou que assim, a UE “poderia reduzir a sua fatura de importação de combustíveis fósseis em 260 mil milhões de euros por ano. Mas também precisamos de garantir que a eletricidade que geramos fica disponível”.

Noutro ponto, chegou mesmo a referir que “qualquer orçamento moderno” da União Europeia (UE) “precisa de novos recursos próprios”, e exortou a que se criem “condições para que as nossas empresas possam atrair investimento e crescer.”

Repensar a Europa

Por fim, Ursula von der Leyen, anunciou a realização, no próximo ano, de um novo Congresso da Europa para repensar o futuro do bloco e celebrar o 70.º aniversário do Tratado de Roma.

O evento vai reunir “as mentes mais brilhantes” do continente, juntando “pensadores, escritores, artistas, cientistas, cidadãos e sociedade civil” para desenvolverem “uma visão capaz de inspirar a próxima geração de europeus e capaz de reacender a imaginação europeia”.

A ideia é que “a próxima geração possa escrever a sua própria história” e contribuir para que “nunca nos esqueçamos do nascimento da nossa União: povos que estiveram em guerra durante tanto tempo uniram-se para construir um destino comum”, concluiu Ursula Von der Leyen.

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