O primeiro dia da 81.ª Assembleia Geral das Nações Unidas ficou marcado pelo último discurso de António Guterres enquanto secretário-geral da ONU, entre outros temas que marcam a atualidade. Veja, ponto por ponto, quais foram os principais destaques.
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22/09/2026
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Notícias ao Minuto, Lusa
A 81.ª Assembleia Geral das Nações Unidas (UNGA) teve início esta terça-feira, dia 22 de setembro, em Nova Iorque, nos Estados Unidos. O primeiro dia ficou marcado pelo último discurso de António Guterres enquanto secretário-geral da ONU, mas também por vários temas da atualidade, entre os quais as guerras na Ucrânia e no Médio Oriente. Eis, ponto por ponto, os principais destaques.
O debate geral, recorde-se, arrancou com a presença de 116 chefes de Estado e de Governo. O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, também esteve presente.
- Último discurso de Guterres como secretário-geral na Assembleia Geral
Um dos momentos do primeiro dia da Assembleia da ONU foi a despedida de António Guterres dos Debates da Assembleia Geral, onde reafirmou o compromisso com a paz, a dignidade humana e o poder da lei.
O mandato de Guterres, sublinhe-se, termina no dia 31 de dezembro, depois de ter assumido a liderança em janeiro de 2017 e de ter sido reconduzido para um segundo mandato.
No seu discurso, o ainda secretário-geral da ONU refletiu sobre os eventos que levaram à criação do organismo, há cerca de 80 anos, que considerou ter sido um ato de desafio.
“O desafio das pessoas que se recusam a entregar o futuro ao medo. O desafio contra a noção autodestrutiva de que a força faz o direito. O desafio dos países que sabem que os nossos futuros estão interligados. O desafio da esperança”, disse.
“Levarei este espírito de resolução e determinação durante cada um dos 100 dias que me restam no cargo”, acrescentou, num discurso após o qual foi aplaudido de pé.
- O discurso de Donald Trump
O presidente norte-americano, Donald Trump, foi um dos líderes políticos que discursou neste debate anual da UNGA, tendo-se focado no poder dos Estados Unidos e em tudo aquilo que o próprio diz ter feito para tornar o seu país no mais poderoso do mundo.
“A América está de volta e o nosso país está mais forte do que nunca”, atirou, dizendo que isto é algo que afirma “com orgulho”.
Trump salientou ainda que a economia norte-americana “é invejada”, assim como “as forças armadas”, que são “as mais poderosas do mundo”. “Somos líderes praticamente em tudo”, gabou-se.
“O nosso futuro é muito, muito brilhante”, defendeu ainda, elencando tudo o que o país alcançou depois de assumir a liderança do mesmo, nomeadamente através da criação de mais postos de trabalho, maiores investimentos, menos burocracias empresariais.
- A guerra no Irão
Ainda durante o seu discurso, Donald Trump apontou só haver duas decisões nesta guerra que espoletou no dia 28 de fevereiro deste ano: “Aniquilar” o Irão ou chegar a um “acordo”.
“Acredito que chegaremos a um acordo logo após as eleições” legislativas intercalares previstas nos Estados Unidos em novembro, acrescentou o republicano.
“Mas tenho uma grande decisão a tomar: ou aniquilo a República Islâmica, e rapidamente, sem nunca lhe dar a possibilidade de voltar a matar e destruir pessoas e países? Envio-os para o inferno, sem qualquer hipótese de sobrevivência nem esperança de grandeza futura ou para as gerações vindouras?”, questionou.
“Ou será alcançado um acordo com o Irão que lhes permita reconstruir-se e tornar-se um país muito maior do que alguma vez foi, talvez um dos maiores do Médio Oriente, ou mesmo do mundo”, declarou o presidente norte-americano.
- O encontro de Trump e Zelensky
“Espero que ponhamos fim a esta guerra e que o presidente Trump nos ajude a pôr fim a esta guerra. Acho que precisamos de o fazer, se possível, antes do inverno”, disse Volodymyr Zelensky antes do início do encontro.
Note-se que Trump, durante o seu discurso na UNGA, afirmou que esta guerra terminará mais cedo do que muitos pensam.
- Assinatura de acordo entre EUA, Gronelândia e Dinamarca
Um outro tema que acabou por marcar este primeiro dia da Assembleia Geral, ainda que tenha acontecido à margem deste evento, prendeu-se com a assinatura de um acordo entre os Estados Unidos, Gronelândia e Dinamarca, que tem como objetivo reforçar a segurança no Ártico e no Atlântico Norte.
A assinatura deste acordo, note-se, aconteceu dias depois de Donald Trump ter anunciado um pacto para reforçar a presença militar norte-americana na Gronelândia, mantendo-a, no entanto, sob o controlo dinamarquês.
Recorde-se que o presidente norte-americano provocou este ano uma crise com os aliados europeus ao ameaçar anexar o território autónomo dinamarquês, tendo em conta a sua localização estratégica na região ártica e os seus recursos naturais, cobiçados por Washington.
- O discurso de Lula da Silva
Por fim, mas não menos importante, o discurso do presidente do Brasil, Lula da Silva.
O chefe de Estado brasileiro advertiu sobre tendências hegemónicas e declarou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”, no seu discurso na sessão de abertura da Assembleia Geral da ONU.
“Na América Latina e Caribe a proximidade geográfica com a maior potência do mundo é inescapável, sobretudo no momento de recrudescimento hegemónico. O Brasil não cabe quintal de ninguém”, disse Lula, numa alusão aos Estados Unidos.
“Precisamos de parceiros com uma agenda positiva que fomente o desenvolvimento. Diferenças ideológicas não podem ser obstáculos para maior integração entre vizinhos”, afirmou.
O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, irá discursar na quinta-feira na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, que decorre até dia 28 de setembro.

