O líder da oposição israelita, Gadi Eisenkot, anunciou hoje que proporá a criação de uma comissão de inquérito estatal sobre as falhas que permitiram o massacre de 7 de outubro de 2023, após a posse do novo parlamento.
© Tomer Neuberg / Middle East Images / AFP via Getty Images
29/10/2026
por
Lusa
O líder da oposição israelita, Gadi Eisenkot, anunciou hoje que proporá a criação de uma comissão de inquérito estatal sobre as falhas que permitiram o massacre de 07 de outubro de 2023, após a posse do novo parlamento.
“Várias equipas estão já a trabalhar para ultimar os preparativos de diversas iniciativas: uma lei sobre o recrutamento [universal no Exército israelita], a criação de uma comissão estatal de investigação sobre o massacre de 07 de outubro e uma reforma do mecanismo orçamental para dar prioridade àqueles que prestam serviço ao país”, afirmou Eisenkot numa mensagem vídeo.
“Os planos estão prontos e, em coordenação com os meus parceiros, vamos submetê-los a votação assim que começar o período de sessões do Knesset (parlamento israelita)”, com data prevista para 10 de novembro, acrescentou o líder do bloco da oposição israelita e dirigente do Yashar! (Repto!).
O anúncio surge num contexto de polémica sobre denúncias de fraude eleitoral nas legislativas de 27 de outubro em Israel e de ingerência estrangeira, que abriram uma nova frente de tensão política no país.
O Likud, partido do primeiro-ministro em exercício, Benjamin Netanyahu, denunciou alegadas irregularidades que atribuiu a partidos árabes — incluindo a alegada distribuição de dinheiro para compra de votos e de boletins de voto do partido árabe muçulmano Ra’am, que conquistou oito lugares na contagem provisória.
A polícia israelita rejeitou as acusações de que os partidos árabes terão tentado “sabotar as eleições” e afirmou que não existem provas que as sustentem.
Por sua vez, o presidente da Comissão Eleitoral Central, Noam Sohlberg, solicitou ao responsável do Shin Bet (serviços secretos internos) que investigasse as denúncias sobre uma possível ingerência estrangeira no ato eleitoral, embora reconhecendo não poder confirmar se estas têm fundamento.
A comunicação social israelita apontou para suspeitas de um eventual financiamento do Qatar para aumentar a participação árabe, acusação que Doha negou.
Em comunicado, Eisenkot acusou o Likud e Netanyahu de promoverem uma campanha coordenada para deslegitimar os resultados eleitorais, e alertou que não permitirá desvios no calendário previsto para a tomada de posse do Knesset, marcada para 10 de novembro.
Na mesma linha, o líder do partido Os Democratas, Yair Golan, acusou Netanyahu de tentar manter-se no poder e confirmou que a oposição procurará substituir o presidente do parlamento, revogar as leis da reforma judicial e criar uma comissão de inquérito estatal, segundo uma mensagem publicada nos seus canais.
A disputa decorre num cenário de incerteza parlamentar: segundo os dados mais recentes, o bloco de Netanyahu soma 53 deputados, contra 48 da oposição — ambos abaixo dos 61 mandatos necessários para alcançar a maioria parlamentar.
Os partidos árabes contam com 19 representantes — o melhor resultado da sua história — e poderão desempenhar um papel decisivo na formação de um Governo alternativo, embora continuem excluídos de ambos os blocos.

