As eleições legislativas em Israel terminaram com os dois blocos empatados, abrindo caminho para cenários como coligação, governo minoritário, união nacional ou novas eleições.
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27/10/2026
por
Lusa
Os dois blocos concorrentes nas eleições legislativas em Israel estão praticamente empatados, segundo as primeiras projeções, com uma ligeira vantagem para o da oposição, que ficou em melhor posição para angariar eventuais novos parceiros.
Com 52 assentos parlamentares estimados para o chamado bloco da mudança, liderado pelo partido Yashar! do ex-general Gadi Eisenkot, e 50 para o bloco pró-governamental, liderado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, estão longe dos 61 necessários para obter a maioria no Knesset (parlamento), compostos por 120 lugares.
Eis os quatro principais cenários possíveis, citados pela agência francesa AFP:
Forma-se uma coligação
Após a proclamação oficial dos resultados, dentro de alguns dias, o Presidente de Israel, Isaac Herzog, encarregará um candidato de formar um governo — aquele considerado o mais bem posicionado para reunir, pelo menos, 61 deputados.
Iniciar-se-ão então as negociações, geralmente longas e árduas. No final das eleições anteriores, em 2022, Benjamin Netanyahu demorou 58 dias a formar uma coligação.
Se o Likud de Netanyahu for, desta vez, mais uma vez o partido que obtiver mais assentos (24 ou 25, segundo as projeções), será também aquele cujo bloco terá mais dificuldade em alargar-se para além dos seus aliados da extrema-direita e ultraortodoxos.
O campo de Gadi Eisenkot, por outro lado, poderá contar quer com deserções no campo do primeiro-ministro, quer com os votos dos partidos árabes.
As duas listas árabes israelitas poderão, de facto, conquistar um número recorde de assentos, segundo as primeiras sondagens à boca das urnas, com um número estimado de deputados de 17 ou 18.
A história política israelita é rica em reviravoltas, pelo que não se podem excluir deserções ou outras mudanças de aliança.
Um governo minoritário
Se nenhum bloco conseguir reunir o “número mágico” dos 61 lugares parlamentares, poderá formar-se um governo minoritário, contando com o apoio pontual de alguns deputados.
Também neste cenário, as duas listas árabes israelitas destacam-se como possíveis decisores.
O partido Ra’am (Lista Árabe Unida) de Mansour Abbas (com uma previsão de sete assentos) manifestou-se disposto a colaborar com o bloco de Gadi Eisenkot, e a Lista Conjunta (que reúne três partidos de maioria árabe) propôs, por seu lado, fornecer uma “rede de segurança” a qualquer coligação que afastasse Netanyahu do poder.
No entanto, as principais figuras do bloco da oposição mostraram-se, durante a campanha, relutantes em assumir publicamente tal hipótese, devido à hostilidade de grande parte do eleitorado judeu em relação a qualquer forma de aliança com os árabes israelitas.
Netanyahu está bem ciente disso e, por isso, centrou a sua campanha numa possível cooperação entre o bloco de Eisenkot e os partidos árabes, que apresenta como a aliança da “esquerda e da Irmandade Muçulmana” que ameaça a sobrevivência do Estado de Israel.
Um governo de união nacional
Esta hipótese parece improvável, tendo em conta a extrema polarização do panorama político em Israel. No entanto, a união dos partidos ditos “sionistas”, excluindo as formações árabes e ultraortodoxas, é regularmente referida por analistas.
Uma sondagem publicada em meados de outubro indicava que 55% dos inquiridos prefeririam um governo de união nacional a novas eleições, caso as eleições não resultassem numa maioria clara.
Este cenário tem um precedente recente: em 2020, Netanyahu e o centrista Benny Gantz, apesar da sua profunda inimizade, chegaram a um acordo de partilha de poder após três eleições em menos de um ano, que previa uma rotação no cargo de primeiro-ministro. Mas a aliança desfez-se ao fim de um ano, levando a novas eleições.
Nos últimos dias, alguns meios de comunicação social afirmaram que o Presidente Isaac Herzog estaria a trabalhar nos bastidores para uma aproximação entre Netanyahu e Eisenkot, com vista a repetir a experiência em caso de impasse.
Mas esta hipótese deparar-se-ia com uma forte rejeição nos dois campos, nomeadamente no bloco liderado por Eisenkot, que transformou esta votação num referendo contra o primeiro-ministro cessante.
Um impasse e novas eleições
Se nenhum candidato conseguir formar governo, a população israelita terá de voltar às urnas.
O país realizou quatro eleições entre abril de 2019 e março de 2021 devido à incapacidade das forças políticas de chegarem a acordo sobre um projeto comum sustentável.
O candidato designado pelo Presidente terá, em princípio, 28 dias para formar uma coligação, com uma possível prorrogação de 14 dias. Em caso de fracasso, poderão ser iniciados outros procedimentos antes de uma eventual dissolução do Knesset.
Uma nova campanha prolongaria a instabilidade política num país ainda marcado pelas consequências do ataque do grupo extremista palestiniano Hamas a 07 de outubro de 2023 e pelas várias frentes de conflito que o executivo de Netanyahu abriu nos últimos três anos.
Entretanto, Netanyahu continuaria a ser primeiro-ministro interino.
As eleições de hoje foram o primeiro ato eleitoral desde os ataques do Hamas que em 2023 atingiram Israel e destabilizaram o Médio Oriente.

