Os dois maiores partidos espanhóis, PP e PSOE, iniciaram hoje os primeiros comícios da campanha para as eleições antecipadas de 29 de novembro, com foco em Ceuta e na imigração (PP) e na habitação (PSOE).
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10/10/2026
por
Lusa
Os dois maiores partidos espanhóis, PP e PSOE, fazem hoje os primeiros comícios da campanha para as eleições antecipadas de 29 de novembro, que querem centrar em Ceuta e na imigração (os populares) e na habitação (os socialistas).
O presidente do Partido Popular (PP, direita), Alberto Núñez Feijóo, e o secretário-geral do Partido Socialista Espanhol (PSOE) e primeiro-ministro em funções, Pedro Sánchez, agendaram comícios para este sábado, os primeiros que farão como candidatos nas eleições de 29 de setembro.
Feijóo estará hoje em Madrid, depois de ter simbolicamente lançado a pré-campanha na quarta-feira com uma deslocação a Ceuta, o enclave espanhol no norte de África onde no final de julho entraram de forma ilegal mais de 70.000 pessoas, havendo milhares que permanecem na cidade.
Ceuta “é o sintoma do declínio, da corrupção e da mentira em que o país mergulhou” com a gestão de Sánchez, disse Feijóo em Ceuta, sublinhando que a cidade foi o destino da sua “primeira deslocação como candidato” e será “o primeiro dossiê em cima da mesa do Conselho de Ministros” se o PP chegar ao Governo.
Feijóo considerou que “Ceuta não recuperou a normalidade” e a única solução é que “as 15.000 pessoas que invadiram a cidade ilegalmente” no final de julho e continuam no enclave saiam de Espanha.
Já Sánchez estará hoje em Dos Hermanas, em Sevilha, um município considerado um feudo do PSOE, que governa a localidade em maioria absoluta desde 1983.
O líder do PSOE e primeiro-ministro convocou eleições antecipadas na segunda-feira depois de o parlamento ter ‘chumbado’ medidas para a habitação com que o Governo tinha avançado face a manifestações contínuas com milhares de pessoas nas ruas desencadeadas pelo despejo da idosa Maricarmen Abascal, em 23 de setembro.
Sánchez lançou a pré-campanha logo na terça-feira, quando o Conselho de Ministros voltou a aprovar os decretos da habitação ‘chumbados’ pelo plenário dos deputados. Com o parlamento dissolvido, os diplomas serão agora votados por uma comissão permanente do parlamento, onde os partidos que votaram contra já não têm maioria.
“Se a maioria do Parlamento, tal como aconteceu, dá as costas aos cidadãos numa das questões que mais os preocupa, como é o acesso à habitação, então os cidadãos devem eleger um novo parlamento e, até que isso aconteça, o Governo continuará a governar”, justificou Sánchez na terça-feira.
“Penso que é hora de o Parlamento se parecer mais à rua”, acrescentou na sexta-feira, numa entrevista ao jornal elDiario.es, a primeira que concedeu como candidato nas eleições de 29 de novembro.
A habitação, por um lado, e Ceuta, a imigração e o controlo de fronteiras, por outro, são os temas que previsivelmente marcarão a pré-campanha e a campanha das legislativas espanholas, atendendo aos discursos dos dirigentes políticos que se seguiram à convocatória das eleições.
Nestes dias Feijóo e Sánchez lançaram também alertas e suspeitas em relação ao processo eleitoral.
Dirigentes do PP consideraram que o voto por correio, que a lei espanhola permite a todos os eleitores, pode não ser fiável, enquanto Sánchez disse poder haver ingerência estrangeira, através do espaço digital.
Feijóo anunciou na quarta-feira que o PP vai propor à Junta Eleitoral Central (similar à Comissão Nacional de Eleições) medidas adicionais para dar mais garantias ao voto por correio, dizendo que confia nos carteiros, mas não nos diretores da empresa pública Correos, a que ele próprio presidiu entre 2000 e 2003.
O líder do PP sublinhou que um ex-presidente da Correos, nomeado por Sánchez, e uma militante do PSOE que trabalhou na empresa estão a ser investigados por suspeita de terem tentado interferir em casos judiciais que envolvem ex-dirigentes do partido e familiares de Sánchez.
Na mesma entrevista ao elDiario.es, Sánchez considerou que a direita e a extrema-direita estão a lançar estas suspeitas falsas sobre o voto por correio por “medo de perder” e por quererem “cortar o direito ao voto de milhões de trabalhadores”, que no domingo das eleições não podem ir às mesas de voto.
Sánchez admitiu, por outro lado, estar preocupado com a possibilidade de ingerências estrangeiras nas eleições, por causa das posições que assumiu nos últimos anos em questões internacionais, como a guerra no Irão ou Gaza, que lhe valeram críticas dos EUA e Israel.
O líder do PSOE disse que essas ingerências poderão não ser “só de nações, mas também de atores não estatais”, referindo em concreto “oligarcas” donos de grandes plataformas digitais, como o presidente da Amazon, Jezz Bezos, que criticou publicamente as medidas do Governo espanhol para a habitação, posicionando-se num debates “que lhes ficam um pouco distantes”.
As sondagens mais recentes dão a vitória nas eleições de 29 de novembro ao PP, mas sem maioria absoluta, que alcançaria numa aliança com o Vox (extrema-direita). Os dois partidos têm assumido que se coligarão para tirar o PSOE e a esquerda do Governo de Espanha.

