Líder da oposição acusa Sánchez de corrupção em campanha em Ceuta

Líder da oposição acusa Sánchez de corrupção em campanha em Ceuta

O líder da oposição em Espanha, Alberto Núñez Feijóo, iniciou hoje a campanha eleitoral em Ceuta, acusando o Governo de Pedro Sánchez de corrupção e má gestão.

© THOMAS COEX/AFP via Getty Images


07/10/2026
por

Lusa

O líder da oposição em Espanha arrancou hoje a campanha para as eleições antecipadas de 29 de novembro em Ceuta, onde considera haver uma crise fruto do declínio, corrupção e mentira do Governo do socialista Pedro Sánchez.

 

Ceuta, um enclave espanhol no norte de África, onde no final de julho entraram ilegalmente mais de 70.000 pessoas em 24 horas, “é o sintoma do declínio, da corrupção e da mentira que o país mergulhou” com a gestão de Sánchez, disse Alberto Núñez Feijóo, presidente do Partido Popular (PP, direita).

Feijóo considerou que os cerca de 80.000 espanhóis que vivem em Ceuta “tiveram de se defender praticamente sozinhos de um ataque à sua integridade territorial que se arrasta há mais de dois meses”.

Ceuta foi o destino hoje da “primeira deslocação como candidato” de Feijóo nas eleições de 29 de novembro e será “o primeiro dossiê em cima da mesa do Conselho de Ministros” se o PP ganhar as eleições e chegar ao Governo, prometeu, numa declaração ao lado do presidente do executivo da cidade autónoma, Juan Jesus Vivas, do mesmo partido.

Feijóo considerou que “Ceuta não recuperou a normalidade” e a única solução é que “as 15.000 pessoas que invadiram a cidade ilegalmente” no final de julho e continuam no enclave saiam de Espanha.

“Essa é a única solução e é esse o meu compromisso”, acrescentou.

A maioria das pessoas que entraram em 30 e 31 de julho em Ceuta de forma ilegal abandonaram a cidade de forma voluntária, mas milhares continuam no enclave, com o Governo espanhol a dizer que não podem ser repatriadas sem um processo de alojamento temporário, registo e decisão oficial sobre pedidos de asilo, como impõe o Pacto Europeu de Migrações, em vigor desde junho.

Mais de dois meses depois da entrada em massa, há ainda pessoas a dormir nas ruas de Ceuta, por alta de lugares em centros de acolhimento.

O primeiro-ministro e líder do Partido Socialista Espanhol (PSOE), Pedro Sánchez, convocou esta semana eleições legislativas antecipadas para 29 de novembro, num momento em que protestos pela crise na habitação retiraram, após mais de dois meses, os focos de todas as atenções mediáticas de Ceuta e das críticas generalizadas à gestão que o Governo fez da situação no enclave.

Ceuta e a imigração, onde se foca o discurso da direita e extrema-direita, e a crise da habitação, onde a esquerda está a centrar as atenções, deverão ser os temas centrais da campanha das eleições de 29 de novembro.

Pedro Sánchez é primeiro-ministro desde 2018. Mesmo desgastado internamente por vários casos confirmados e suspeitos de corrupção de pessoas que lhe são próximas e por uma paralisia legislativa dependente de uma geringonça de oito partidos no parlamento que lhe impediu apresentar uma única proposta de Orçamento do Estado desde 2022 ou pela atuação em Ceuta, vinha repetindo insistentemente nos últimos meses que a legislatura atual iria até ao fim (meados de 2027).

Até que na segunda-feira anunciou a dissolução do parlamento e eleições antecipadas, depois de partidos de direita terem chumbado no parlamento decretos com medidas para a habitação com que o Governo tinha avançado de forma urgente face à pressão de milhares de pessoas nas ruas desde o despejo, em 23 de setembro, de Maricarmen Abascal, uma idosa de 87 anos.

“Para fazer em profundidade as reformas pendentes, de que precisamos para reduzir os níveis de desigualdade, temos de nos mobilizar e temos que conseguir que o parlamento nos dote de uma maioria muito mais ampla, progressista, para dobrar as elites e conquistar novos direitos e continuar a transformar Espanha”, justificou Sánchez.

As análises de politólogos, analistas e meios de comunicação social coincidem hoje em que Sánchez e o PSOE viram no tema da habitação “uma janela de oportunidade” quando todo o contexto parecia desfavorável para a esquerda, como revelam todas as sondagens.

As sondagens mais recentes publicadas em Espanha dão todas a vitória ao PP, mas sem maioria absoluta, enquanto o Vox (extrema-direita) duplicaria o número de deputados, com os dois partidos a alcançarem uma maioria absoluta no parlamento.

O PP teria uma percentagem de votos semelhantes à das eleições anteriores, de 2023 (33%), quando elegeu 137 deputados, e que o Vox poderia chegar aos 18% e quase duplicar o número de deputados atuais (33).

Já as forças de esquerda, o PSOE, de Sánchez, e a plataforma Somar, que integra vários partidos, perderiam votos e deputados.

O PSOE e o Somar estão na coligação governamental atual e, segundo as sondagens, os socialistas cairiam para 25% dos votos (tiveram 31,6% em 2023). O Somar passaria dos 12,33% de 2023 para cerca de 6%, segundo os mesmos estudos.

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