Estudantes franceses mantêm protestos apesar de concessões do governo

Estudantes franceses mantêm protestos apesar de concessões do governo

Os estudantes franceses anunciaram que vão manter os protestos iniciados há três semanas contra o Governo, apesar de algumas cedências do primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, após um encontro com o grupo, que considerou as medidas insuficientes.

© Getty Images


26/10/2026
por

Lusa

Os estudantes franceses anunciaram hoje que vão manter os protestos iniciados há três semanas contra o Governo, apesar de algumas cedências do primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, após um encontro com o grupo, que as considerou insuficientes.

 

Depois de várias reuniões e do lançamento de uma plataforma de consulta dirigida aos alunos do ensino secundário, cujas mobilizações serviram de rastilho para um movimento de protesto que se alastrou a outros setores, o governo anunciou uma série de medidas.

Entre estas, destacam-se a reforma do sistema de acesso à universidade, a atribuição de mil milhões de euros para a melhoria das instalações universitárias e outros 4 mil milhões de euros sob a forma de créditos para escolas e colégios de ensino secundário.

“É um passo, mas claramente insuficiente. É preciso ir mais além”, destacou Louis Letoubon, porta-voz da associação Les Lycéens.

Letoubon e os seus colegas apelaram à adesão às manifestações marcadas para o próximo sábado, à continuidade dos bloqueios nas escolas a partir da próxima segunda-feira, quando terminam as férias escolares, e à participação na greve geral agendada para 05 de novembro.

Tornando-se um dos rostos mais conhecidos do protesto estudantil, Letoubon declarou que “o governo está com medo e demonstrou estar desorientado”, defendendo, por isso, a manutenção da pressão “para obter o máximo possível”.

A proposta do Governo, detalhada pelo ministro da Educação, Edouard Geffray, inclui uma reforma parcial do sistema de acesso à universidade, um modelo que os estudantes do ensino secundário exigem que seja totalmente revogado.

O governo propõe um debate parlamentar sobre o sistema para esta quarta-feira, ciente de que o destino da medida dependerá do executivo que emergir das eleições presidenciais previstas para abril e maio do próximo ano.

Os estudantes consideram que esta pode ser uma forma de avançar, conscientes de que os partidos mais bem posicionados nas sondagens, a líder de extrema-direita francesa, Marine Le Pen, do Rassemblement Nacional (RN ou Reagrupamento Nacional) e o líder do partido La France Insoumise (LFI, França Insubmissa), Jean-Luc Mélenchon (extrema-esquerda), defendem a revogação do sistema vigente.

Defendem que o sistema é pouco compreensível e transparente, para além de criar uma elite e não favorecer a ascensão social dos alunos provenientes de zonas mais desfavorecidas.

Quanto aos recursos financeiros alocados à renovação de edifícios, os estudantes consideram o montante muito aquém das suas necessidades, sublinhando que grande parte das instituições de ensino do país não está preparada para as temperaturas atuais, agravadas pelas alterações climáticas.

Geffray revelou ainda que o número de alunos por turma será reduzido para 28. A medida entrará em vigor no próximo ano letivo em metade das instituições, concretamente nas que se encontram nas zonas mais carenciadas, e, no ano seguinte, será alargada às restantes.

Neste sentido, anunciou que o governo desistiu de eliminar 836 lugares de docentes, como tinha sido planeado anteriormente, e que, em vez disso, vai criar 500 novas vagas.

Um dos pontos em que as cedências do executivo em relação às reivindicações estudantis se mostraram mais distantes foi a contratação de docentes universitários.

Enquanto os sindicatos reivindicam 250.000 vagas, o governo anunciou a criação de 15.000, essencialmente vocacionadas para disciplinas de caráter profissionalizante.

Outra medida anunciada é o ajustamento anual do orçamento destinado às bolsas de estudo, acompanhando a inflação.

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