O presidente da Reserva Federal norte-americana (Fed), Kevin Warsh, anunciou que o banco central vai reduzir o número de reuniões sobre as taxas de juro a partir de 2027, com o objetivo de dar mais tempo para debates estratégicos.
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28/10/2026
por
Lusa
O presidente da Reserva Federal norte-americana (Fed), Kevin Warsh, anunciou hoje que o banco central vai reduzir o número de reuniões sobre as taxas de juro a partir de 2027 e disse que a inflação está “demasiado elevada”.
Segundo o presidente do banco central, a Fed vai alterar a sua agenda em matéria de política monetária, pelo que em 2027 reduzirá de oito para sete o número de reuniões anuais em que serão tomadas decisões sobre as taxas de juro.
Já partir de 2028, prevê-se que sejam apenas seis as reuniões de política monetária.
Warsh afirmou que esta alteração no calendário de reuniões do Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) decorre da necessidade de os seus membros disporem de mais tempo para debater as decisões relativas às taxas.
“Consideramos que oito reuniões por ano constituem o número adequado para o FOMC. No entanto, em 2027, uma das reuniões centrar-se-á exclusivamente na estratégia geral de política monetária, sem que esteja prevista uma votação sobre as taxas de juro dos fundos federais nem a emissão de um comunicado de política monetária”, explicou, em conferência de imprensa.
“Além disso, prevejo que, em 2028, teremos duas reuniões dedicadas ao debate sobre a estratégia e seis destinadas à definição da política monetária”, acrescentou o presidente da Fed, organismo que mantém um calendário de oito reuniões por ano desde 1981, segundo a EFE.
Warsh salientou que “para acertar na política monetária, é necessário avaliar a evolução a curto prazo em intervalos oportunos, regulares e baseados em informação exaustiva” e que, por sua vez, é necessário dispor de tempo para deliberar e partilhar ideias.
“É igualmente importante que, enquanto grupo caracterizado pela sua diversidade intelectual, reservemos tempo e espaço para deliberações estratégicas, para repensarmos questões fundamentais, adotarmos uma perspetiva a mais longo prazo e, como costumo dizer, nos concentrarmos no que vem antes da vírgula”, explicou.
Warsh, que assumiu a presidência da Fed em maio passado, considerou que redefinir o calendário e a ordem do dia das reuniões “vai além de um mero trâmite administrativo”.
“Trata-se de uma decisão institucional que influencia a natureza e a qualidade das nossas deliberações e, em última análise, a assertividade das nossas decisões”, acrescentou.
No dia em que o banco central norte-americano decidiu manter inalteradas as taxas de juro, o presidente da Fed afirmou ainda que a inflação está “demasiado elevada”, apontando o nível dos preços como o principal problema económico nos Estados Unidos da América (EUA).
Warsh garantiu ainda que a proximidade das eleições intercalares nos EUA não pesou na decisão da manutenção das taxas de juro.
Durante os dois dias de reunião da Fed, “não ouvi qualquer alusão à política, às eleições, nem ao que vai acontecer na próxima semana. Não ouvi nada sobre o assunto e não creio que isso tenha tido qualquer influência na decisão, nem para mim, nem para os meus colegas presentes na sala”, garantiu.
A Reserva Federal norte-americana (Fed) decidiu manter as taxas de juro no intervalo entre 3,75% e 4%, tal como antecipado pelos analistas e após uma reunião de dois dias, foi hoje anunciado, em comunicado.
A decisão não foi unânime, com dois membros do Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC) a terem votado contra, preferindo uma subida de 0,25 pontos percentuais.

