A Associação Cultural e Recreativa da Matriz, na Póvoa de Varzim, lamentou a realização de dois dias de festival de música neonazi no seu espaço – depois de ter tentado de impedir que o 2.º dia de reunião se realizasse. Note-se que, à marcação, a associação desconhecia a natureza do que se ia passar, dado que foi informada de uma “festa de aniversário”.
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01/11/2026
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Notícias ao Minuto
A Associação Cultural e Recreativa (A.C.R.) da Matriz lamentou, este domingo, a situação que envolveu a realização de um festival neonazi no seu espaço. A associação da Póvoa de Varzim explicou que desconhecia o cariz da marcação aquando esta foi feita, revelando ontem que o ajuntamento foi marcado como uma “festa de aniversário”. A entidade responsável pelo espaço tentou ainda impedir o segundo dia de festival, 31 de outubro, mas as instrução “não foram acatadas”.
“A A.C.R. Matriz lamenta profundamente os acontecimentos relacionados com a realização de um evento nas suas instalações. A Direção apenas tomou conhecimento da alegada natureza e finalidade da iniciativa ao início da noite de 30 de outubro, quando o evento já se encontrava em curso”, começa por ler-se num comunicado emitido na rede social Facebook, no qual é também descrito que após conhecimento da situação, “seguiu-se uma noite de reuniões e análise dos factos, em articulação com o Departamento Jurídico da associação”.
Já na manhã de sábado, dia correspondente ao segundo dia de festival, a “Direção comunicou formalmente à pessoa que havia contratado o espaço que não pretendia a continuação do evento nas suas instalações, dando instruções expressas para que abandonasse o local. Essas instruções não foram acatadas”.
“Perante o recurso a mecanismos legais e pautando sempre a sua atuação pelo respeito pela lei e pela prevenção de qualquer confronto ou recurso à força, a Direção optou por não agravar a situação“, lê-se na nota.
A A.C.R. Matriz deixa sublinha ainda que “não se revê, em circunstância alguma, na alegada natureza e finalidade da iniciativa em causa”.
Falando sobre os 41 anos de existência da coletividade, o grupo lembra que tem uma “atividade cultural de raízes centenárias, mais de 500 sócios e uma forte ligação à comunidade, através das nossas atividades culturais, recreativas e desportivas”.
“Somos contra qualquer forma de radicalismo, extremismo ou intolerância, independentemente da sua origem ou orientação”, reforçam.
A A.C.R. Matriz lamenta ainda o “aproveitamento político que alguns têm procurado fazer desta situação, bem como o envolvimento involuntário da Câmara Municipal, entidade com a qual mantemos uma relação institucional de várias décadas e que muito valorizamos”.
Por agora, o departamento jurídico da associação está a analisar “factos” e a preparar diligências legais adequadas, não procurando indemnizações ou compensações financeiras, mas sim o esclarecimento e transparência do que se passou.
“Procuramos justiça, o apuramento da verdade e evitar que outras instituições ou pessoas passem por situações semelhantes. A nossa história, os nossos valores e a nossa comunidade merecem ser defendidos”, remata a direção da associação.
Note-se que a licença especial de ruído, que impedia a realização de concertos para lá da meia-noite, foi revogada pela autarquia. Ainda no sábado, e já depois de a associação ter explicado que “não autorizava” a realização deste segundo dia de festival no espaço, o Jornal de Notícias (JN) deu conta de que o encontro se realizava na mesma.
Vários vizinhos terão ligado para a Polícia de Segurança Pública na mesma, mas, de acordo com o que escreveu a publicação acima citada ontem, não houve intervenção policial. Os horários já autorizados terão sido “cumpridos”, de acordo com o que fonte policial do Porto explicou ao JN, acrescentando: “A Polícia poderia impedir o evento, se lhe pedissem um parecer, mas só soubemos a posteriori e o evento estava a decorrer numa propriedade privada e legalizada”.
O JN, que avançou com a notícia, apurou ainda que já quando a associação tentava impedir a realização do festival, a organização do evento deu entrada de uma providência cautelar no Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto. O caso não foi considerado urgente e só deveria ser distribuído na segunda-feira, já quando o festival terminou.
Tudo começou quando centenas de pessoas se reuniram na sexta-feira à noite para a o primeiro dia da terceira edição do festival de música neonazi “Master of the Sea”, um evento que é organizado em segredo pela Blood & Honour Portugal.
Recorde-se que os Blood & Honour são uma rede internacional neonazi fundada em 1987, no Reino Unido, por Ian Stuart Donaldson e por Nicky Crane. O grupo está banido e proibido em países como a Alemanha, Espanha, Rússia ou Canadá.
Embora restringido em vários países, há ramificações do grupo espalhadas pela Europa, como por exemplo a Blood & Honour Portugal, que foi fundada em 1998.
O Expresso refere que o grupo é uma das organizações de extrema-direita que mais preocupam as autoridades portuguesas, sendo alvo de investigações há vários anos e de monitorização do Serviço de Informações de Segurança.

