O Irão assinala hoje o 47.º aniversário da tomada da embaixada dos Estados Unidos em Teerão com marchas em todo o país, num clima de receio de um novo confronto militar e com um protagonista incontornável: Donald Trump.
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04/11/2026
por
Lusa
“Mataremos Trump”, podia ler-se em numerosos cartazes exibidos em frente à antiga embaixada norte-americana em Teerão, ocupada por estudantes a 04 de novembro de 1979 e atualmente transformada num museu, denominado “Ninho de Espiões”, dedicado à hostilidade entre os dois países.
Segundo reporta a agência noticiosa espanhola EFE, outros cartazes mostravam uma bala a atravessar a franja loira do Presidente norte-americano, enquanto outros o representavam atrás das grades ou acorrentado.
Nalgumas imagens, surgia caracterizado como um porco, sendo também numerosas as caricaturas que o ridicularizavam.
Tudo isto no meio dos habituais cânticos de “Morte à América” e “Morte a Israel”, que ecoam no Irão desde a Revolução Islâmica de 1979.
Numerosas são também as imagens do líder supremo iraniano, aiatola Mojtaba Khamenei, que ainda não apareceu em público desde que foi nomeado, em março, na sequência do assassínio do seu antecessor e pai, Ali Khamenei.
Nos cartazes hoje exibidos em Teerão, surgia a apontar uma espingarda AK-47, com uma expressão desafiadora.
A tomada da embaixada dos Estados Unidos e a captura de 52 diplomatas como reféns durante 444 dias desencadearam uma tensão entre os dois países que atingiu o seu ponto mais alto desde que os Estados Unidos e Israel lançaram uma guerra contra o Irão, a 28 de fevereiro.
Atualmente, muitos habitantes de Teerão receiam que os ataques contra o seu país sejam retomados, enquanto a derrota dos republicanos nas eleições intercalares norte-americanas de terça-feira, que fez com que Trump perdesse o controlo das duas câmaras do Congresso, é encarada como uma vitória iraniana.
“O facto de Trump ter sido humilhado com a derrota nas eleições é uma vitória para o nosso povo”, disse à EFE Masume, uma dona de casa de 34 anos que participava na manifestação na capital.
A mulher considerou provável que os Estados Unidos retomem os ataques contra território iraniano “nos próximos dias ou semanas”, mas garantiu não recear uma nova ofensiva.
“Acredito que o único caminho é continuar a resistir com uma posição firme, até que o inimigo perceba que não consegue nada com a sua atitude arrogante”, afirmou.
Terça-feira, os Estados Unidos atacaram território iraniano pela primeira vez em dois meses, numa ação considerada “limitada”, um episódio que Teerão não reconheceu.
Algumas autoridades iranianas também celebraram a derrota dos republicanos nas eleições intercalares, considerando-a um “não à guerra” contra o seu país.
“Quer tenha sido por consciência ou pelo custo de vida, os norte-americanos disseram não à guerra e nós apoiamos essa mensagem”, escreveu na rede social X o presidente do Parlamento e principal negociador iraniano, Mohamad Baqer Qalibaf.
Na última semana, o Irão e os Estados Unidos intensificaram as negociações indiretas, com a mediação do Qatar, para encontrar uma saída para a guerra, mas, até ao momento, não conseguiram chegar a um acordo.
Também na terça-feira, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão, Mohsen Rezaei, afirmou que a resposta norte-americana à proposta iraniana para pôr fim à guerra “não foi convincente” e exigiu que aborde “de forma plena e explícita as sete condições apresentadas pelo Irão.
Entre essas condições estão o fim da guerra em todas as frentes, incluindo no Líbano, o descongelamento dos ativos iranianos em países terceiros, o levantamento das sanções ao petróleo e o fim do bloqueio imposto pelos Estados Unidos aos portos e navios iranianos, entre outras.
Os apoiantes da República Islâmica consideram que as negociações não levarão a lado nenhum, pois acreditam que Trump retomará os ataques e muitos garantem não estar preocupados.
“Considero muito provável um novo confronto, mas tenho a certeza de que sairemos vitoriosos”, disse à EFE, durante a manifestação em Teerão, Reza, um comerciante de 53 anos. “Não estou minimamente preocupado”, assegurou.

