O presidente brasileiro, Lula da Silva, criticou hoje a própria campanha de reeleição e disse ser a mais desorganizada que já viu desde 1989, quando disputou pela primeira vez o cargo ao Palácio do Planalto.
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07/10/2026
por
Lusa
A crítica ocorre em meio a uma crise interna do Partido dos Trabalhadores (PT), após o resultado das urnas do último domingo revelar que Lula está a 2,2 milhões de votos atrás de Flávio Bolsonaro, do PL, o que pegou apoiantes de esquerda e base governista.
«Acho que fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade. Eu acho que a gente poderia ter feito mais», declarou em Brasília, durante encontro com congressistas jovens do PT e com forte atuação nas redes sociais.
Ao se voltar para o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e coordenador da sua campanha completou: «Essa é a campanha menos organizada que participei desde 1989. E normalmente a gente colhe aquilo que a gente planta».
«Eu sinceramente estranhei não ter ganhado as eleições na primeira volta. Mais grave ainda não terminar no primeiro lugar», completou.
«O que isso me leva a crer? Que nós vamos ganhar as eleições para presidente da República. Se fizemos o que a gente tem que fazer, não tem como perder as eleições para o retrocesso que significa o nosso adversário», concluiu.
Lula já disputou sete eleições presidenciais: 1989, 1994, 1998, 2002, 2006, 2022 e 2026, sendo derrotado nas três primeiras, e todas as vezes que venceu, foi na segunda, saindo na frente dos seus adversários na primeira volta.
Ainda no evento, o Presidente cobrou uma unidade da esquerda no Brasil ao dizer que todos os partidos do campo progressista poderiam se unir num só.
“Haverá um dia em que a esquerda vai estar em um partido só. É uma questão de maturidade e de tempo. Muitas vezes, a gente não tem divergência programática, tem sustentabilidade de cargo de quem está e não quer sair”, completou.
O petista também comentou que foi criticado por seus aliados e pela primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, por não fazer «selfies» nas redes sociais, e agora se sentiu convencido de usar melhor as mídias digitais, inclusive com o público jovem.
Lula também pediu que aos apoiantes e parlamentares jovens usem as suas audiência nas redes sociais, redes de contato nas suas freguesias e também vá às ruas convencer as pessoas sobre a importância da redução da jornada de trabalho (fim da escala 6×1), atualmente discutida no Senado brasileiro.
“Eu quero saber como [o senador e candidato] Flávio Bolsonaro vai votar, como o PL vai votar [no Senado]”, provocou.
Ele também citou os feitos do Governo brasileiro na área da segurança pública que devem ser explorados como discurso de campanha e, assim, virar voto e convencer os eleitores, uma vez que os bolsonaristas têm forte engajamento no tema.
«O nosso lema é o seguinte. Para o povo trabalhador, a proteção. Para o bandido, a prisão. Esse é o nosso lema daqui para frente», declarou.

