A organização não governamental Médicos Sem Fronteiras (MSF) alertou hoje que as autoridades israelitas perpetuam um “genocídio” na Faixa de Gaza de forma contínua há três anos, destruindo os meios de sobrevivência.
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05/10/2026
por
Lusa
“Israel está a asfixiar progressivamente Gaza e continua a perpetrar um genocídio”, denuncia a MSF.
Isto, enquanto o exército israelita amplia a sua presença para além da linha amarela, anunciada por Israel dias depois do acordo de cessar-fogo, em outubro de 2025.
O alerta chega na véspera de se assinalarem três anos sobre o início dos ataques do movimento de resistência islâmica (Hamas) – que fizeram mais de mil mortos e 250 pessoas sequestradas – e da subsequente ofensiva militar contra o enclave palestiniano.
Os MSF denunciam que as autoridades israelitas estão “a confinar” a população a um espaço cada vez mais reduzido e a destruir as condições necessárias para a sobrevivência.
“A ‘linha amarela’ não pode ser considerada, simplesmente, uma linha no mapa. Foi convertida num mecanismo de cerca e limpeza étnica, ao mesmo tempo que afasta as comunidades das infraestruturas, dos cuidados de saúde, de água e outros elementos essenciais que necessitam para sobreviver”, declarou a responsável na MSF por responder às emergências em Gaza, Amande Bazerolle.
Neste sentido, a “ameaça é cada vez mais imediata” para quem reside perto da ‘linha amarela’, aumentando a incerteza de se aproximarem de uma zona que “não está sinalizada de forma clara nem demarcada”.
Deste modo, há cada vez mais habitantes de Gaza a correrem o risco de serem baleados por as forças israelitas e a enfrentarem mais dificuldades para acederem à assistência médica dos MSF e outras organizações, que tiveram de interromper o transporte de bens essenciais como a água.
Com este avanço das tropas israelitas, realça a MSF, as famílias vivem “em condições de sobrelotação e inabitabilidade, sem acesso suficiente a água potável, saneamento básico, abrigo seguro ou assistência médica”, com o risco que isso representa para a propagação de doenças.
As equipas dos MSF trataram “só em 2026”, mais de 11 mil casos de doenças de pele como sarna e registaram mais de 1.500 casos de varicela nos meses de junho e julho, além de gastroenterites, infeções respiratórias agudas, hepatites e piolhos.
“A maioria das pessoas tem menos de seis litros de água por dia para uso doméstico e tem um acesso limitado a artigos básicos de higiene, como sabão e detergente (…). Ao mesmo tempo, sofremos de uma grave escassez de material médico, inclusive o creme que usamos para tratar a sarna foi restringido pelas autoridades israelitas”, alertou o responsável pelas atividades médicas em Gaza, Murad Asaliya.
Além do material e equipamento de saúde, Israel restringiu também o fornecimento de óleo para motor e peças de reposição, o que também está a causar impacto em infraestruturas de apoio aos hospitais, centros de saúde e ambulâncias, paralisando o seu funcionamento, com frequentes avarias dos geradores de eletricidade.
A MSF prevê que a destruição de mais de 80% das infraestruturas em Gaza, assim como a violência e a deslocação contínua, as doenças físicas e psicológicas na Faixa de Gaza impedirão qualquer recuperação significativa no enclave nos próximos anos.
Pelo contrário, “são necessárias gerações” só para recuperar os danos causados nos últimos três anos.
“A destruição, deslocação e privação normalizaram-se. São práticas que Israel leva a cabo com total impunidade. Os governos deviam atuar agora para garantir que Israel cesse a destruição e os assassinatos, impedindo a limpeza étnica e que deixe de negar à população palestina os meios de sobrevivência”, exigiu Amande Bazerolle.

