Merz “horrorizado” com êxito da AfD em região alemã

Merz

O chanceler alemão, Friedrich Merz, declarou-se hoje ‘horrorizado’ com a eleição do candidato da AfD para a presidência de um parlamento regional, após o partido de extrema-direita conseguir apoio de deputados para o cargo.

© Michael Kappeler/picture alliance via Getty Images


07/10/2026
por

Lusa

Na terça-feira, um mês após uma vitória esmagadora nas eleições regionais na Saxónia-Anhalt, situada na antiga Alemanha de Leste, a Alternativa para a Alemanha (AfD), formação anti-imigração e pró-russa, conseguiu fazer eleger o seu candidato à presidência do parlamento regional, com o apoio de um pequeno partido pró-russo de esquerda, o BSW.

 

No entanto, após a contagem dos boletins da votação secreta, verificou-se que o candidato da AfD, Tobias Rausch, tinha recebido o apoio de mais quatro parlamentares que permaneceram anónimos, gerando especulações na comunicação social alemã sobre possíveis votos procedentes da União Democrata-Cristã (CDU), o partido de Friedrich Merz.

Hoje questionado sobre o assunto num fórum, o chanceler declarou-se “horrorizado” com o resultado, mas salientou que a CDU não é “o único” partido passível de suspeita.

Mencionou ainda uma possível conspiração para desacreditar o seu partido, cuja diretriz é recusar qualquer cooperação com a AfD.

“As operações sob ‘falsa bandeira’ não existem apenas no âmbito militar. Existem também na política”, afirmou.

“Estamos a lidar (…) com três [grupos] no parlamento regional da Saxónia-Anhalt que tudo fazem para minar a coesão da nossa democracia”, acrescentou, parecendo referir-se à AfD, ao BSW e ao partido de esquerda radical Die Linke.

A eleição de um presidente de um parlamento regional pertencente à extrema-direita é um facto inédito na Alemanha do pós-guerra e abre caminho para que o líder da AfD na Saxónia-Anhalt assuma a chefia do Governo regional em dezembro.

Para tal, Ulrich Siegmund, de 35 anos, precisa de conquistar o apoio de, pelo menos, três deputados de outros partidos.

Até à data, nenhum partido aceitou votar nele, nem mesmo o BSW.

Mas a AfD relatou ter mantido contactos com parlamentares de outros grupos, nomeadamente da CDU.

Até ao momento, nenhum dos grandes partidos alemães cooperou com a AfD, seguindo o princípio do “cordão sanitário” (“Brandmauer”).

Contudo, o partido de extrema-direita tem crescido continuamente nas sondagens e conquistado diversas vitórias eleitorais este ano, às custas da CDU.

Enredado em dificuldades económicas e políticas, Merz é, após menos de um ano e meio no poder, o mais impopular chanceler alemão do pós-guerra.

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