O ministro dos Transportes espanhol demitiu-se esta terça-feira, seis dias após o acidente em Urda, que tirou a vida a 69 pessoas. Os dois acidentes do último ano totalizam 115 mortes.
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03/11/2026
por
Anabela Sousa Dantas, Lusa
Óscar Puente demitiu-se esta terça-feira, seis dias após o desastre ferroviário que matou pelo menos 69 pessoas, indicando que não tinha condições “continuar no cargo após dois acidentes em menos de um ano”.
Na despedida, invocou as palavras do antigo ministro português Jorge Coelho, quando apresentou a sua demissão em 2001, após a queda da ponte de Entre-os-Rios. O governante espanhol lembrou que Coelho “utilizou uma frase que hoje quero utilizar: ‘A culpa não pode morrer solteira'”.
“A minha decisão é, portanto, uma decisão de dignidade política e é assim que deve ser encarada. É boa para o país e boa para a democracia”, acrescentou.
Óscar Puente informou da sua demissão numa declaração à Comissão Permanente do Congresso, na qual afirmou que tomou a decisão assim que teve conhecimento do acidente em Urda (Toledo).
O político socialista enfatizou que esta é uma questão “de dignidade política, coerência e empatia com as vítimas” e que essa decisão “pretende estar à altura” do seu partido e daqueles que o precederam, “daqueles que entregaram tudo para servir à sua ideia de país e sociedade, mais justa e igualitária”.
Além disso, Puente afirmou que “não pode continuar no cargo com dois acidentes dessa gravidade em menos de um ano, por mais diferentes que sejam e tenha ou não responsabilidade direta neles”.
O até agora ministro dos Transportes agradeceu ao presidente do Governo, Pedro Sánchez, pela sua “confiança sem limites”, e incentivou “todos os progressistas” do país “a ajudá-lo” nas eleições gerais de 29 de novembro porque “ele merece”, frisou.
Puente disse à Comissão Permanente do Congresso que este é um “momento triste” para Sánchez, “mais um neste caminho de altos e baixos que é a vida e a política”.
Na sua última fala durante a apresentação, pediu aos militantes socialistas que estejam “unidos e orgulhosos” pelo que foi conquistado no passado e, sobretudo, “do que ainda há por alcançar”.
O acidente ocorreu na última quarta-feira de manhã, quando dois comboios de alta velocidade em que viajavam mais de 500 pessoas colidiram em Urda, uma localidade a cerca de 150 quilómetros a sul de Madrid.
Pelo menos 110 pessoas foram atendidas em hospitais e 15 continuam internadas em estado grave, segundo as autoridades locais.
Segundo a CIAF, o balanço de 69 mortos continua a ser provisório e há um número “muito elevado de feridos ainda pendente de confirmação”.
Espanha tem a maior rede de alta velocidade da Europa e a segunda maior do mundo, a seguir à da China, e soma agora 54% dos mortos em acidentes com estes comboios desde que o primeiro circulou em 1964, no Japão.
[Notícia atualizada às 21h11]

