Moçambique avança com o projeto do terminal de GNL na Matola como alternativa ao declínio da produção de gás de Pande e Temane, que deverá terminar em 2030.
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05/11/2026
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Lusa
Moçambique prepara uma alternativa ao gás de Pande e Temane, cuja produção deverá terminar em 2030, avançando com o projeto do terminal de Gás Natural Liquefeito (GNL) na Matola, prevendo alcançar o fecho financeiro até final de 2027.
A Beluluane Gas Company (BGC) anunciou hoje a nomeação do consórcio VGI/PRDW como Engenheiro do Proprietário do futuro terminal, numa etapa que deverá permitir consolidar os projetos de engenharia e apoiar a contratação do empreiteiro responsável pela construção da infraestrutura.
Segundo um comunicado da empresa, o consórcio irá “consolidar todos os projetos de engenharia e prestar apoio” na conclusão do processo de contratação do empreiteiro EPC (Engenharia, Aquisição e Construção).
A BGC afirma esta etapa permitirá alcançar o fecho financeiro do projeto antes do final de 2027, garantindo que o financiamento inicial será assegurado pela Matola Gas Company (MGC) e pela Gigajoule International (GI).
A Beluluane Gas Company é uma sociedade anónima registada em Moçambique, criada em 2016 pela empresa sul-africana Gigajoule e pela multinacional francesa TotalEnergies para desenvolver um projeto de importação de GNL através do porto da Matola, arredores de Maputo.
No comunicado de hoje acrescenta-se que a entrada em funcionamento do terminal antes de se esgotar o fornecimento de gás de Pande e Temane é considerada crucial para assegurar o abastecimento das centrais elétricas a gás de Chókwè, Ressano Garcia e Maputo, todas no sul do país e que fornecem cerca de 450 megawatts à Eletricidade de Moçambique (EDM), bem como da indústria transformadora da região da Matola e Maputo.
No comunicado, a empresa considera é essencial para garantir o abastecimento energético destas infraestruturas e da crescente atividade industrial.
A necessidade de uma alternativa de abastecimento está relacionada com a maturidade dos campos de Pande e Temane, na província de Inhambane, explorados pela petrolífera sul-africana Sasol ao abrigo do Acordo de Produção Petrolífera (PPA), assinado em 2000.
Segundo dados apresentados pela Sasol em agosto, a produção acumulada dos campos de Pande, Temane e Inhassoro atingiu 3.306,41 petajoules até outubro de 2025, equivalentes a 79,48 mil milhões de metros cúbicos de gás.
Desse volume, 3.278,66 petajoules correspondem à concessão PPA, que abrange os campos de Pande e Temane e se encontra numa fase de maturidade, após mais de duas décadas de exploração.
As reservas destes campos foram inicialmente estimadas em 4,5 biliões de pés cúbicos, dos quais cerca de 3,1 biliões já tinham sido produzidos até ao final de 2025. A Sasol prevê que a extração termine em 2030, embora admita investimentos para prolongar a atividade até 2031, sendo que a licença de produção do PPA termina em 2034.
Em paralelo, a Sasol iniciou em 2025 a produção ao abrigo do Contrato de Partilha de Produção (PSA), associado ao campo de Inhassoro, também em Inhambane. A concessão, detida integralmente pela empresa sul-africana, dispõe de uma licença de produção válida até 2050.
O PSA apresenta recursos estimados em 2,5 biliões de pés cúbicos, dos quais cerca de 1,2 biliões são considerados recuperáveis sob a forma de gás natural, petróleo leve e gás de petróleo liquefeito (GPL).
A Sasol fornece também gás à África do Sul através de um gasoduto que liga as instalações de produção em Inhambane ao país vizinho, enquanto quase toda a produção do PSA se destina ao mercado moçambicano.
Relativamente ao futuro terminal da Matola, a BGC adianta que as negociações comerciais relativas ao fornecimento de GNL, ao financiamento da construção e à venda de gás à África do Sul “encontram-se em fase final”, estando previstos novos anúncios em breve.
A MGC fornece gás à Matola desde 2005, abastecendo atualmente duas centrais elétricas e mais de 35 unidades industriais com gás moçambicano.

