O novo filme com Nick Jonas e Paul Rudd, “Letras Roubadas”, que se estreia em Portugal a 2 de julho, conta uma história que questiona se a música ainda pode ser original e o que significa ser o autor de algo.
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30/06/2026
por
Lusa
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“Há um número limitado de notas no teclado e um número limitado de melodias e letras à escolha”, disse o cantor e ator Nick Jonas, numa conferência de lançamento do filme. “Quando há milhares de músicas a serem compostas todos os dias por pessoas de todo o mundo, algo acaba por acontecer”.
Essa é a premissa do novo filme de John Carney, “Letras Roubadas”, em que Nick Jonas interpreta o papel do ex-membro de uma ‘boys band’ Danny Wilson e se apropria de uma canção escrita por outro músico, Rick Power (Paul Rudd).
A história é, no entanto, mais complicada que uma simples acusação de letras roubadas ou de plágio. É um questionamento do processo de criatividade, da pressão do sucesso e do que acontece quando um músico sacrifica a carreira pela família.
“Já vi cenários em que uma ideia foi lançada, outra pessoa terminou-a meses depois e esqueceu-se de onde ela surgiu”, explicou Nick Jonas. “E outros cenários em que, sem intenção, chegamos a uma melodia muito similar”.
Danny Wilson não é posicionado como um vilão. Carney explora as nuances do estrelato e de como más decisões se podem tornar numa bola de neve.
“É difícil mover-nos por estes dias sem tocar em algo que pertence a outra pessoa. Tudo está a ser reciclado”, disse o realizador. “Hoje em dia, é difícil saber o que significa originalidade, autenticidade verdadeira”.
Carney, que escreveu algumas das canções do filme, disse que o argumento de “Letras Roubadas”, se for levado longe demais, pode paralisar a criatividade porque toda a gente tem medo de ser acusada de plágio. “Mas queremos originalidade e ouvir música nova”, ressalvou, considerando que a década de oitenta foi a última em que se fez música realmente nova.
Para Paul Rudd, encarnar Rick Power foi uma oportunidade de esticar as suas capacidades vocais. O seu personagem é o vocalista da banda de casamentos “Bride & Groove”, na Irlanda, e tem um sentimento de alguma amargura com o potencial de sucesso que nunca alcançou.
“A música, mais que qualquer outra coisa, tem isto de nos fazer sentir sãos, de nos fazer sentir compreendidos”, afirmou o ator, que se preparou para o papel canalizando a energia que sentiu em todas as vezes que fez karaoke.
Rudd compreende a sensação de injustiça do seu personagem, que sente que o crédito pela sua música mudaria a sua vida. No entanto, também defendeu que a questão é mais complexa do que parece inicialmente.
“Anos mais tarde, ninguém se vai importar com quem escreveu o quê”, disse. “É uma coisa que existe. É difícil separar o ego da autoria, mas provavelmente em muitas das coisas que adoramos alguém viu o seu crédito negado”.
O ator contou que encaixou de imediato com Nick Jonas e este nunca lhe deu qualquer conselho sobre como interpretar um músico.
“Se pusermos o ego de lado, o ato de criar algo é uma coisa incrível, mesmo que só você saiba disso”, considerou.
“Letras Roubadas” é um filme da Lionsgate que conta ainda no elenco com Havana Rose Liu, Beth Fallon, Jack Reynor e Sophie Vavasseur.

