O porta-voz da ONU admitiu que forças de segurança foram mobilizadas para evitar altercações entre as delegações dos EUA e Cuba durante a Assembleia-Geral. O ministro cubano acusou o embaixador norte-americano de mentir e de manchar a honra do seu país.
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28/10/2026
por
Lusa
O porta-voz do secretário-geral da ONU admitiu hoje que as Nações Unidas mobilizaram forças de segurança adicionais para evitar que as altercações entre as representações dos Estados Unidos e Cuba se descontrolassem durante a Assembleia-Geral.
Na terça-feira, durante a intervenção do embaixador dos Estados Unidos junto da ONU, Mike Waltz, o ministro dos Negócios Estrangeiros cubano, Bruno Rodríguez, levantou-se do seu lugar e dirigiu-se à tribuna, onde se encontrava Waltz, para o acusar, aos gritos, de mentir e de manchar a honra do seu país.
O presidente da Assembleia-Geral da ONU, Khalilur Rahman, ameaçou suspender a sessão e interrompeu a intervenção do embaixador norte-americano em três ocasiões para que o ministro cubano pudesse proferir as repreensões, tal como previsto no regulamento do órgão.
Em declarações hoje aos jornalistas, o porta-voz de António Guterres, Stéphane Dujarric, afirmou que é esperado que “todas as delegações respeitem o decoro da sala da Assembleia-Geral e cumpram o seu regulamento”.
Na sessão de hoje, antes da votação, Waltz acusou a delegação de Cuba de “agredir um diplomata dos Estados Unidos”.
“Essa conduta viola o acordo do país anfitrião, e esse suposto diplomata será hoje repatriado para Havana. É inaceitável”, afirmou o representante norte-americano, antes de advertir de consequências caso algum membro da delegação cubana “chegue a tocar” num diplomata dos Estados Unidos.
Dujarric afirmou ter ouvido a intervenção de Waltz, mas garantiu não dispor de informações em primeira mão que possam confirmar a suposta expulsão.
Durante o momento das declarações inflamadas discutia-se uma proposta apresentada por Havana que defende o fim do “bloqueio económico, comercial e financeiro” de Washington à ilha caribenha.
Essa resolução, apresentada anualmente desde 1992, foi aprovada com 130 votos a favor (incluindo de Portugal), 30 contra e 25 abstenções.
Na sede da ONU, Rodríguez contestou os Estados Unidos, que negam a existência de um bloqueio contra a ilha, e afirmou que o embargo norte-americano provoca prejuízos económicos superiores a 22,9 milhões de dólares num único dia (cerca de 20,5 milhões de euros, ao câmbio atual).
Rodríguez apresentou um contador em tempo real do impacto económico que, segundo o Governo cubano, o embargo norte-americano provoca.
O contador começou a funcionar na terça-feira, coincidindo com o início do debate na Assembleia-Geral sobre a resolução contra essas sanções.
“O bloqueio mata e castiga silenciosamente a nossa população como nunca antes”, declarou o ministro durante a intervenção.
Durante a sua intervenção na terça-feira, Waltz negou a existência de um bloqueio norte-americano contra Havana e apelou aos Estados-membros para que rejeitassem o texto apresentado por Cuba.
Rodríguez alertou que a administração liderada pelo Presidente republicano Donald Trump “desencadeou uma onda de pressões, intimidação e chantagem” contra outros membros da ONU para fazer com que o texto fosse rejeitado.
O chefe da diplomacia cubana classificou o embargo como “um ato de guerra, de castigo coletivo e de genocídio” e lamentou as “consequências extremamente graves” que recaíam sobre o seu povo.

