Estudantes exigiram demissão. Diretora da TV sérvia saiu no dia seguinte

Estudantes exigiram demissão. Diretora da TV sérvia saiu no dia seguinte

A diretora da RTS da Sérvia demitiu-se após pressão do movimento estudantil vencedor das eleições antecipadas, que acusou a estação de parcialidade na cobertura da informação.

© Getty Images


28/10/2026
por

Lusa

A diretora do grupo de comunicação social público Rádio e Televisão da Sérvia (RTS) demitiu-se hoje, um dia após o pedido feito pelo movimento estudantil vencedor das eleições legislativas antecipadas de domingo.

 

A opositora Lista dos Estudantes obteve no escrutínio maioria absoluta no país balcânico, afastando do poder o todo-poderoso ex-presidente ultraconservador Aleksandar Vucic.

“Manja Grcic demitiu-se do cargo de diretora-geral da RTS”, noticiou a estação, acrescentando: “A sua demissão tinha sido exigida pelo sindicato dos trabalhadores da RTS, por grupos informais de funcionários da estação e pela Lista dos Estudantes”.

Grcic, que ocupava o cargo desde fevereiro deste ano e era há anos considerada próxima de Vucic, afirmou estar disposta a “prestar toda a cooperação necessária” para garantir uma transição ordenada, permitindo que a RTS continue a funcionar.

Na terça-feira, o movimento estudantil solicitou, através de uma carta, a demissão da diretora-geral da RTS, da sua adjunta, dos editores responsáveis pela cobertura da atualidade, bem como de todos os redatores do departamento de informação.

O movimento estudantil acusou a RTS de realizar um tratamento parcial da informação e de não exercer um controlo crítico sobre as autoridades políticas.

Na noite das eleições, a estação interrompeu a cobertura dos acontecimentos em Belgrado logo após o ex-presidente nacionalista Aleksandar Vucic ter reconhecido a derrota, apesar de haver celebrações a decorrer na rua por todo o país.

A Lista dos Estudantes exigiu também a criação de uma direção provisória para a RTS, uma proposta feita em conjunto com os sindicatos que representam os trabalhadores da estação pública, acusada pelos seus críticos de não ter cumprido as suas funções de serviço público.

“Os cidadãos têm direito a uma informação verdadeira, completa e imparcial”, declarou a Lista, após a vitória eleitoral.

Segundo a organização não-governamental CRTA (Centro de Pesquisa, Transparência e Responsabilidade), durante uma semana da campanha eleitoral analisada, a RTS dedicou 93% do tempo a Vucic e a outros representantes do Governo, ao passo que a oposição obteve apenas 7% do tempo e, em grande parte, de forma negativa.

Na Sérvia, a grande maioria dos meios de comunicação social, incluindo a estação pública RTS e os privados, tem sido controlada por Vucic ou por pessoas do seu círculo próximo.

Em 2025, o ex-chefe de Estado sérvio foi incluído pela organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) na sua lista mundial dos 34 “Predadores da Liberdade de Imprensa”.

Em Novi Sad, no norte da Sérvia, a estação pública regional RTV pediu na segunda-feira desculpa por ter deixado de cumprir “durante muitos anos” a sua função de serviço público, e o diretor do canal apresentou a demissão.

Nas eleições legislativas antecipadas de domingo na Sérvia, uma lista apoiada pelos estudantes obteve uma vitória histórica sobre o partido nacionalista de direita SNS, de Aleksandar Vucic, pondo fim a 14 anos no poder.

Esta vitória ocorreu após dois anos de protestos desencadeados pelo desabamento, em 2024, da cobertura de um alpendre na estação ferroviária de Novi Sad, uma tragédia que resultou em 16 mortos.

Amplamente atribuída à corrupção, a catástrofe provocou algumas das maiores manifestações na Sérvia desde a queda do líder autoritário Slobodan Milosevic, em 2000.

Ao longo dos protestos, os estudantes acusaram repetidas vezes a RTS de ignorar deliberadamente os manifestantes e de os difamar.

Paralelamente, organizações da sociedade civil e associações de comunicação social instaram as autoridades reguladoras a retirar a licença à Informer TV, um canal privado alinhado com Vucic, alegando violações recorrentes da lei de imprensa.

Menor morto após atacar guarda à entrada da Embaixada de Israel na Sérvia

Um menor de 16 anos foi abatido após esfaquear um guarda à entrada da Embaixada de Israel em Belgrado. O ministro do Interior do país declarou o incidente como uma “ataque terrorista”, confirmando que o jovem era simpatizante do Estado Islâmico.

Márcia Guímaro Rodrigues | 07:46 – 28/10/2026

logo_nacloset_285_285_4k_webp2
Privacidade

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.