Paz de 1992 exige novo “compromisso” com diálogo entre moçambicanos

Paz de 1992 exige novo

O Presidente moçambicano afirmou hoje que a principal lição deixada pelo Acordo Geral de Paz, assinado há 34 anos, continua a ser a capacidade dos moçambicanos substituírem o confronto pelo diálogo, quando o país procura consolidar a estabilidade política.

© Lusa


04/10/2026
por

Lusa

Falando na cerimónia central do Dia da Paz e Reconciliação, realizada na cidade de Xai-Xai, província de Gaza, o chefe de Estado, Daniel Chapo, considerou que o 04 de outubro continua a representar mais do que um marco histórico.

 

“Neste dia não recordamos apenas um documento assinado em Roma, mas a decisão mais nobre que um povo pode tomar, ao substituir o confronto pelo diálogo, a divisão pela reconciliação e a guerra pela esperança”, afirmou.

Segundo Chapo, o acordo alcançado entre o então Presidente Joaquim Chissano, da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), no poder desde a independência do país em 1975, e Afonso Dhlakama, líder histórico da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), que morreu em maio de 2018, que colocou fim aos 16 anos de guerra civil em Moçambique, demonstrou que os conflitos políticos e militares podem ser ultrapassados através do diálogo e da negociação.

“Os moçambicanos provaram ao mundo que a palavra pode ser mais forte do que a arma, que o diálogo pode vencer o conflito e que o amor à pátria moçambicana pode ser maior do que qualquer divisão entre os moçambicanos”, disse.

O Presidente defendeu que a paz alcançada em 1992 não constitui uma conquista definitiva e cada geração tem a responsabilidade de a preservar: “A paz não é um presente que recebemos para guardar numa vitrina da história. A paz é um compromisso que cada geração deve renovar”.

Para Chapo, o atual processo de Diálogo Nacional Inclusivo enquadra-se nesse esforço de renovação permanente do compromisso nacional com a paz, numa altura em que Moçambique procura ultrapassar as tensões políticas e sociais que se seguiram às eleições gerais de 2024, marcadas por manifestações, violência e destruição de infraestruturas públicas em várias zonas do país.

“A paz de 1992 silenciou as armas. A paz de hoje exige que saibamos escutar uns aos outros e a paz de amanhã dependerá da nossa capacidade de construir um país onde cada cidadão encontre dignidade, oportunidades e esperança”, declarou.

Na intervenção, o Presidente recordou ainda os custos humanos e económicos do conflito armado que terminou em 1992.

“Foram 16 anos de conflito armado, morreram mais de um milhão de moçambicanos e a economia moçambicana, incluindo o tecido social, ficou completamente dilacerada”, disse.

Chapo aproveitou igualmente a ocasião para alertar para a necessidade de transmitir às gerações mais novas o valor da paz. Segundo o Presidente, essa realidade constitui uma vitória da paz, mas também um desafio para a preservação da memória coletiva.

“Milhões de jovens nasceram depois de 1992. Milhões de jovens não viveram a guerra dos 16 anos (…) muitos nunca ouviram o som da guerra e de uma arma”, afirmou.

O chefe de Estado associou ainda a estabilidade política ao desenvolvimento económico, defendendo que os dividendos da paz devem traduzir-se em emprego, rendimento e oportunidades para a população.

“Os frutos do combate pela paz devem chegar cada vez mais à vida concreta dos moçambicanos”, concluiu.

Em 2013 sucederam-se outros confrontos entre as partes, durante 17 meses, e que só pararam com a assinatura, em 05 de setembro de 2014, do Acordo de Cessação das Hostilidades Militares, entre Dhlakama e o antigo chefe de Estado Armando Guebuza.

Alguns anos depois, em 06 de agosto de 2019, foi assinado o Acordo de Paz e Reconciliação Nacional, o terceiro e que está a ser materializado, entre o então Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, e o líder da Renamo, Ossufo Momade, prevendo, entre outros aspetos, a Desmilitarização, Desarmamento e Reintegração (DDR) do braço armado do principal partido da oposição.

logo_nacloset_285_285_4k_webp2
Privacidade

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.