Pelo menos 1.235 pessoas fugiram de ataques em duas semanas em Moçambique

Pelo menos 1.235 pessoas fugiram de ataques em duas semanas em Moçambique

Pelo menos 1.235 pessoas fugiram de ataques e por receio de ataques de grupos insurgentes armados em quatro distritos de Cabo Delgado nas duas últimas semanas de outubro, segundo a OIM.

© Lusa


03/11/2026
por

Lusa

Pelo menos 1.235 pessoas fugiram de ataques e por receio de ataques de grupos insurgentes armados em quatro distritos da província moçambicana de Cabo Delgado nas duas últimas semanas de outubro, segundo a Organização Internacional para as Migrações.

 

De acordo com o mais recente relatório do mecanismo de monitorização de deslocações de emergência (ETT) da Organização Internacional para as Migrações (OIM), os movimentos populacionais envolveram 1.235 pessoas, correspondentes a 316 agregados familiares, nos distritos de Mocímboa da Praia, Macomia, Muidumbe e Meluco, entre 14 e 27 de outubro.

Entre a população deslocada contabilizam-se 265 homens, 386 mulheres e 584 crianças, que representam cerca de 47% do total. A OIM identificou ainda 87 mulheres grávidas, 58 idosos com mais de 60 anos, 18 pessoas com deficiência e quatro crianças desacompanhadas ou separadas das famílias.

Alimentação, abrigo e cuidados de saúde surgem entre as necessidades mais urgentes identificadas pelas populações afetadas, indicadas respetivamente em 88%, 71% e 44% dos locais avaliados.

Segundo a organização, as deslocações foram desencadeadas por ataques e pelo receio de novos ataques perpetrados por grupos armados não estatais. Os maiores movimentos tiveram origem no posto administrativo de Mocímboa da Praia, com 785 deslocados, seguindo-se Chai, no distrito de Macomia, com 242 pessoas, e Mucojo, também em Macomia, com 106 deslocados. Foram ainda registados movimentos populacionais em Muidumbe e Meluco.

A OIM registou 939 deslocados, equivalentes a 76% do total, acolhidos em comunidades anfitriãs, enquanto 296 pessoas, ou 24%, foram recebidas em centros de reassentamento.

A maioria dos deslocados acolhidos por comunidades anfitriãs foi registada em Mocímboa da Praia, com 778 pessoas, seguido de Muidumbe, com 64, Macomia, com 39, Ibo, com 13, e Mueda, com 12.

Nos centros de reassentamento de Macomia foram acolhidas 296 pessoas, das quais 219 no Centro de Nondje e 77 no Centro de Serração.

Cabo Delgado, província rica em gás natural no norte de Moçambique, é palco de uma insurgência armada desde 2017, conflito que já provocou mais de 6.600 mortos e mais de 1,3 milhões de deslocados ao longo de nove anos, segundo dados de organizações internacionais.

Os incidentes associados ao conflito na província aumentaram 10% no primeiro semestre de 2026 face ao mesmo período do ano anterior, de acordo com o relatório “Moçambique: O custo da inação”, divulgado em setembro pelo Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), que registou mais de 400 incidentes de conflito nos primeiros seis meses do ano.

logo_nacloset_285_285_4k_webp2
Privacidade

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.